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Título de eleitor: o verdadeiro empoderamento jovem

Título de eleitor: o verdadeiro empoderamento jovem
COC levou 60 alunos ao Fórum Eleitoral de Foz do Iguaçu para retirar o documento.

* José Elias Castro Gomes

Muito se tem falado sobre a questão do empoderamento. O termo é aplicado a causas sociais, em discursos étnicos, em defesa de minorias, etc. Mas poucos percebem que o verdadeiro empoderamento é feito de atitudes efetivas, e não de brados retumbantes. 

O título de eleitor é um grande exemplo. Esse documento que cabe na palma da mão decreta que seu proprietário tem um poder gigantesco: o de apontar quem definirá as ações que mudarão a vida dos habitantes de cidades, estados e de toda uma nação. 

Por acreditar que o exercício desse empoderamento tem de ser praticado logo cedo, e pela convicção de que nossos jovens são os maiores interessados e os mais capacitados em executá-lo, o COC Foz do Iguaçu promoveu uma ação de estímulo à efetivação do título eleitoral. 

Levamos 60 alunos ao Forum Eleitoral de Foz do Iguaçu para requisitarem o documento, incluindo adolescentes que completarão 16 anos até o dia das eleições. Faz parte da formação promovida no COC o incentivo à promoção da cidadania, e o voto é um híbrido de direito, dever e orgulho que fundamenta nossa participação no regime democrático. 

O respeito às urnas precisa ser incentivado, em especial no momento atual, em que o desalento tem tomado conta dos eleitores, o que se reflete em pesquisas assustadoras sobre as expectativas para o pleito que se aproxima.

Divulgada na terça-feira (15.04.18), a pesquisa CNT/MDA traz números que podem ser considerados chocantes: 29,6% dos brasileiros afirmam que anularão o voto ou votarão em branco, enquanto que 16,1% se dizem indecisos – somados, equivalem a 45,7% do eleitorado, o que supera os votos dos três candidatos elegíveis que se encontram no topo da disputa pelo cargo máximo da nação (38,5%). 

A leitura desses números indica claramente que não há no páreo ninguém que supere a desesperança da população. Porém, deixar de se interessar por política devido ao cenário político, é o equivalente a se desinteressar por prevenção de incêndios quando se mora numa casa de palha.

É justamente no cenário de crise que se precisa atuar de maneira ainda mais cuidadosa, vigorosa, atenta, séria. É o contrário de jogar a toalha. E é isso que nos deixa muito orgulhosos de nossos jovens que se estimularam a fazer o título de eleitor. Eles sabem que sua participação nas urnas nunca foi tão importante.

O respeito às urnas precisa ser incentivado



Fruto da abertura democrática gradual e da Constituição de 1988, o voto aos 16 anos foi festejado como uma grande conquista de uma parcela da população que é movida a inconformismo e anseios por mudança. Só que até mesmo esse nicho inflamado pela vontade de participar e fazer a diferença acabou sendo afetado pela decepção com nossas lideranças, ingressando num processo de desinteresse ao longo dos anos. 

Em 2004, havia 3,6 milhões de eleitores de 16 e 17 anos no Brasil; mas, quatro anos depois, se registrou uma redução de 19% nesse número (2,9 milhões). O quadro mais crítico foi registrado em 2014, quando uma pesquisa da agência de mercado Hello Research apontou que 62% da população brasileira tinha pouco ou nenhum interesse por nosso cenário político – embora a pesquisa não apontasse resultados de acordo com faixas etárias, certamente os adolescentes também estavam sendo arrastados por essa maré de apatia. 

Mas a rebeldia do espírito juvenil precisa ser reavivada e direcionada para onde verdadeiramente pode operar mudanças. Nada contra empunhar uma guitarra ou joystick, mas temos certeza de que o voto é a mais saudável e efetiva forma de inconformismo. Os jovens podem e devem participar do jogo político. E nele nunca há game over. 

* José Elias Castro Gomes é mantenedor do COC Foz do Iguaçu.