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Um novo tipo de promessa de ano novo

Um novo tipo de promessa de ano novo

José Elias Castro Gomes

Toda véspera de reveillon é a mesma coisa: todo mundo se empenha em listar as tais promessas de ano novo. Emagrecer, conquistar uma promoção no trabalho, aprender um idioma, comprar um carro, mudar de casa, encontrar a cara-metade, deixar as finanças em dia, fazer aquela viagem, ganhar mais likes... as possiblidades são infinitas. E, via de regra, vão por um mesmo viés: conquistar o que é melhor para mim. Mas e se mudássemos essa perspectiva? Que tal fazer promessas de coisas que seriam melhores para os outros?

Pode parecer incoerente em um primeiro momento, já que a passagem de ano é um momento tão hedonista e calcado em vaidades e excessos (fartura à mesa, fogos, trajes novos e escolhas meticulosas/supersticiosas até da roupa íntima). Parece que a solidariedade fica reservada para o Natal, passou disso o negócio vira eu comigo mesmo, afinal todos teremos um ano batalhado pela frente.

Mas que tipos de promessas poderiam ser essas que fariam melhor a quem está em nosso entorno? As possibilidades também são infinitas: pedir perdão a quem ofendemos, dedicar mais tempo aos idosos, evitar divergência e praticar a tolerância, cumprimentar e abraçar com sinceridade parentes e amigos, apoiar iniciativas de cunho social e filantrópico, opor-se ao racismo e a posturas excludentes, enfim, vai longe a lista de boas ações e atitudes cidadãs. Só que muita gente poderia se perguntar: que vantagem Maria leva? Não devo valorizar primeiro meu bem estar? É aí que entra a surpresa que pode tornar realmente especial seu ano novo...


Quem pede perdão fica com a alma leve e o coração tranquilo, quem dedica tempo aos idosos absorve a sabedoria daqueles que acumularam experiência durante a vida, aquele que evita divergências e pratica a tolerância faz florescer dentro de si a verdadeira cultura da paz, os que cumprimentam e abraçam com sinceridade são mais bem vistos e somam maior número de amigos, os que apoiam iniciativas de cunho social e filantrópico aprendem a colher os frutos da generosidade, e quem se opõe ao racismo e a posturas excludentes se descobre verdadeiramente humano. Em suma, quem pensa nos outros vive mais e melhor, algo que a ciência comprova cada vez mais.

Ainda há tempo de repensarmos nossas promessas de ano novo. É um exercício que revela quem queremos ser, mas também que mundo queremos ter. Ótimo 2019 a todos.

* José Elias Castro Gomes é mantenedor do Colégio COC Foz do Iguaçu