Feira do Livro

Com a pandemia, as edições das diversas feiras que acontecem regularmente pelo mundo foram suspensas e muitas fizeram edições virtuais para manterem a agenda.

Segundo a Wikipédia, “uma Feira do Livro é uma feira onde editores e livreiros expõem ou vendem livros dos seus catálogos” [1].

Não sabemos exatamente quando surgiu a ideia de se fazer uma feira para expor e vender livros, tampouco qual foi a primeira edição de uma feira do livro propriamente dita. A feira do livro mais antiga da atualidade que temos registro e uma das principais do mundo é a Feira do Livro de Frankfurt, que teve sua primeira edição em 18 de setembro de 1949, em Frankfur na Alemanha, logo após a Segunda Grande Guerra [2].

Atualmente a  maior feira do livro da América Latina é a de Porto Alegre [3] que, porém, disputa o título de maior evento literário com a Bienal do Livro [4].

Com a pandemia, as edições das diversas feiras que acontecem regularmente pelo mundo foram suspensas e muitas fizeram edições virtuais para manterem a agenda.

FEIRA DO LIVRO EM FOZ

A história e patrimônio de Foz nunca foram tratados com muito carinho pelas autoridades locais. Assim, não temos um registro fidedigno do que poderia ser a primeira Feira do Livro daqui.

A primeira matéria publicada na mídia local sobre a atual feira do livro daqui, foi em 23 de dezembro de 1986 na edição 100 do antigo jornal Nosso Tempo – que hoje possui acervo digital na internet [5].

O que começou como um “Salão do Livro” hoje é uma feira internacional que está fixada no calendário oficial do município.

Tudo começou (provavelmente) em 1986 com a Fundação Cultural – recém criada, convidando um grupo de livreiros para a realização de uma feira enquanto evento oficial do município.

No ano seguinte, um grupo (de livreiros) resolveu expor seus livros para venda. A atividade teve apoio da Fundação Cultural e seria conhecida como Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu, mas na data programada houve uma forte chuva que, apesar da força, não cancelou o evento, considerado por muitos uma mega feira local.

De lá para cá a feira teve altos e baixos, com adesões e reformulações, sempre organizada, até então, por livreiros com apoio do poder público, com exceção da edição deste ano de 2021 que, segundo entrevista que foi ao ar 25 de setembro de 2021 no programa Marco Zero [6] – concedida pelo Alexandre Barbosa, diretor de Projetos e Captação de Recursos da Fundação Cultural; será executada exclusivamente por entidades governamentais sem participação popular.

Também nessa mesma entrevista foi declarado que o orçamento inicial será de R$400.000, 00. Das atividades propostas consta a contratação de um autor estrangeiro que fará palestra por videoconferência e de uma curadoria privada, substituindo a então curadoria do Núcleo de Livreiros locais que executam o serviço sem custos para o município.

FEIRA DO LIVRO E CONSELHO DE CULTURA

O Conselho Municipal de Políticas Culturais de Foz do Iguaçu (CMPC), nasceu com a missão de fiscalizar e contribuir (quando convidado) com a organização e execução tanto das ações como eventos patrocinados com o dinheiro público na área da cultura na cidade.

O Conselho sempre teve, anteriormente, papel importante na execução das políticas culturais locais, com especial atenção à Feira do Livro.

Nas gestões anteriores se debateu à exaustão projetos de formação literária popular, na periferia, tanto de autores como leitores, que teriam na Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu seu palco final para expor todo avanço do investimento público na política cultural.

Um sonho esperando ser realizado.

Assim, todo o investimento do dinheiro público não ficaria concentrado em um único evento, sendo a principal parcela aplicada em espetáculos muitas vezes não fazendo referência à leitura em si. A verba destinada à feira seria, segundo debates do conselho junto à comunidade, aplicada numa agenda no ano todo, na formação de autores e leitores, para finalmente culminar na feira no fim do ano.

QUESTIONAMENTOS

Salvo a importância de uma feira do livro na cidade, alguns questionamentos podem ser feitos por nós, enquanto cidadãos e cidadãs, a respeito da atual edição de 2021, a 17ª:

1 – Qual a necessidade de termos um evento presencial em plena pandemia? Apesar da vacinação estar chegando ao fim da segunda dose para a maioria da população, temos que a pandemia ainda não está controlada; um evento presencial com aglomeração acarreta riscos para a população.

2 – Argumenta-se que a Feira do Livro de Foz é um evento turístico. Isso é certo, porém nesta edição, com fronteiras ainda não totalmente abertas, qual público externo atrai? Ainda, devido o prazo de execução, sequer temos tempo para divulgação.

3 – Segundo calendário oficial, a feira é prevista para ser executada em setembro. Qual a necessidade dela ser anunciada ao fim de setembro, “a toque de caixa”, sendo que já havia sido cancelada a edição atual?

4 – Qual público local atrairá, visto que a pandemia recém encontra-se sob algum controle? Quem irá comprar livros na atual crise?

5 – Qual a necessidade de se contratar uma curadoria privada sendo que temos um Núcleo de Livreiros que sempre fez essa curadoria sem custos para o município?

6 – Qual a necessidade de se contratar um autor internacional para dar palestra por videoconferência? Acaso não temos no Brasil autores com autoridade e visibilidade reconhecidas no exterior?

7 – Por fim, por qual motivo o poder público não convocou a sociedade civil e a população para participarem do processo de organização e execução desta edição?

São questões levantadas que esperam respostas.

Precisamos tratar com carinho a NOSSA Feira do Livro, a Feira de Foz. Ela possui potencial enorme tanto como atrativo turístico, contribuindo assim para a prosperidade financeira da cidade, como para a formação literária de autores e leitores. Por isso, parte de nós, cidadãos e cidadãs, questionarmos  e fiscalizarmos o poder público quando toma de forma unilateral a organização de uma feira de caráter popular patrocinada com dinheiro público. Todo investimento feito deverá focar a leitura e literatura, beneficiando livreiros e moradores da cidade.

[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Feira_do_livro
[2] https://www.dw.com/pt-br/1949-primeira-feira-do-livro-de-frankfurt/a-634484
[3] https://www.brasildefators.com.br/2019/10/31/feira-do-livro-de-porto-alegre-65-anos-de-resistencia-a-ceu-aberto
[4] https://www.band.uol.com.br/entretenimento/
[5] http://www.nossotempodigital.com.br/
[6] https://fb.watch/8w46v8P5ZC/

Claudio Siqueira é um cidadão iguaçuense com sotaque da fronteira.

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