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Revista da Guatá chega ao quinquagésimo número

Revista da Guatá chega ao quinquagésimo número

* Silvio Campana

Março foi tempo de editarmos a primeira revista Escrita de 2018. No final do verão, ela circula com o número 50 na capa. Na verdade, ela é a 51a edição, se levarmos em conta a experimental número zero. E a revista da Guatá também desta vez, de forma colaborativa, reuniu a expressão de dezenas de pessoas. De Foz do Iguaçu e de outras partes da América Latina, chegaram às suas páginas imagens e palavras de gente com linguagens diferentes mas unificadas pela vontade de contar suas emoções.

Maria Lucia Peres, de origem guarani, vive na aldeia Tekoha Aty Mirî, na cidade de Itaipulândia, no Paraná. Recém formada em Pedagogia pela Unioeste – Universidade Estadual do Oeste do Paraná -, ela escreve contos infantis. Maria nos brinda com uma releitura da fábula de Chapeuzinho Vermelho, em que conta de uma amizade entre a personagem e o lobo, em benefício da defesa da vida nas matas e da essência do bem viver.

Também de boa prosa nos abastecem a escritora paulistana Tati Lopatiuck, a bailarina carioca Úrsula Férras e o iguaçuense Dan Dorneles, que estuda para se pós graduar em Letras. Soma-se à lista, Fran Rebelatto, professora de Cinema.

Rebelatto escreve a partir de uma fronteira entre imagens fotográficas recentes e a memória de menina. Histórias recortadas em detalhes vividos na rotina de terras rurais gaúchas e recompostos pelo registro  recente. Ela nos brinda com uma crônica que se estabelece no limiar das imagens e das palavras. Contundente, estabelece a ponte vigorosa entre o que se é e aquele conteúdo que um dia foi cenário e objeto da construção do ser em questão.

Por falar em crônicas, a fotografia de nossa capa vem do Ceará e parece dizer, parafraseando o poeta, fazei de tua aldeia um rebento universal. Pois é, o pedagogo Flávio Júnior o faz e bem. Mostra em cores e em preto e branco a força da natureza e a altivez dos que vivem, vizinhos dele, no interior daquele estado. Completam a lista de lentes atentas, autorias de Áurea Cunha (Foz do Iguaçu) e Manatit (Manaus).

Ainda nas seções de “olhos”, temos ilustrações e pinturas de Natália Gavotti, Josué Seratti, Dieguito, Lalan Bessoni e Rogério Silva.

PALAVRA POESIA – A revista Escrita sempre toma para si expressões poéticas variadas que, via de regra, fazem parte de uma corrente. Nela, cabem aqueles que tomam a iniciativa de colaborar, visto que escrevem com frequência. Mas também tem lugar para aqueles que ao publicar uma vez, passam a divulgar a revista como um canal para outras pessoas expressarem suas emoções. Os poemas chegam em mãos, chegam via on line, chegam ditos oralmente no meio de um café de esquina, chegam por correio, às vezes viajando distâncias enormes. Do Amapá temos Elisa Gottfried. Do Rio de Janeiro, as estudantes Sofia Alves, Rebecca Nora e Anailuj.

Do Paraná, o professor e escritor Edson Carvalho (Colombo) e o estudante Eduardo Mezzaroba (Corbélia). Claro, também temos palavras iguaçuenses expressadas por Adriana Biberg, Luciana de Melo, Flávia Vieira e Gilberto Moreno. Os dois últimos, estreando na nossa publicação.

Compondo na mesma linha, mas com colaborações de além Brasil, a revista traz a poesia de Jazmín Gutiérrez, tradutora e mediadora cultural paraguaia, da manicure Maria Neves que mora na Argentina, e a de Nilton de Nadai Filho, médico brasileiro que agora reinventa sua jornada científica lá pelas bandas do Tio Sam.

A GUATÁ NA REVISTA –  A edição 50 traz ainda um ensaio sobre atividades da Guatá, promovendo oficinas de expressão com adolescentes e professores iguaçuenses. E a pedagoga Karina Moschkowich, num breve comentário, discorre sobre o importância das artes no convívio escolar.

“Nosso jeito de caminhar é assim, despacito. Passos modestos e simples. Invariavelmente acompanhados de pessoas e suas expressões artísticas. Claro, admitimos. Não é muito tecer entre palavras e imagens alheias que se reúnem em alvoroço para pró-criar nas páginas da Escrita. Não é muito, mas isso é uma verdade a cada edição. E já são 51 verdades desde que a “Zero” saiu das cabeças, deixou de ser boa ideia e se fez papel.”

* Silvio Campana é jornalista em Foz do Iguaçu.

Texto publicado originalmente no Portal Guatá.

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