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Um terço de crítica

Um terço de crítica

Existem coisas que fugimos por medo. Outras por aversão. E tem aquelas que nos fazem fugir por vergonha.

Durante a semana em minha linha de tempo do Facebook insistentemente tenho visto a imagem do que parece um jovem pai com uma criança, seu filho, no colo, ambos chorando. A imagem ilustrando sempre a notícia do que aconteceu na fronteira entre Brasil e Venezuela, em que venezuelanos foram expulsos e suas roupas queimadas.

Confesso que neguei para mim a realidade do fato e fugi, de vergonha, para um mundo encantado em que meu país, acima de toda corrupção do governo no poder, é o país de um povo bonito, amável, hospitaleiro e justo. A imagem em questão do pai venezuelano chorando joga à face que o Brasil também pode ser feio.

Uma nação é antes de tudo seu povo. Seu governo não implica em sua identidade, mas sim o que seu povo faz e pensa. O que vi mostra que nosso povo não é cristão nem piedoso. Piedade é a qualidade de pio, daquele que crê e teme a Deus, sendo ele cristão, ou outro deus ou deuses. Mas que se mantém na justiça por esse temor. O cristão piedoso é aquele que acolhe o órfão, a viúva e o estrangeiro. A criança de rua, a prostituta, o andarilho, morador de rua e o refugiado. Se pretendermos algum dia, defender que a cultura brasileira é cristã, para além do Estado laico, precisaremos observar o que Cristo nos ensina a respeito do necessitado.

Nunca havia sentido vergonha do brasileiro até agora. Espero que dessa barbárie possa surgir um lampejo de lucidez e entendermos que na América Latina estamos todos no mesmo barco.

Cláudio Siqueira é estudante de Antropologia na Unila.