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A pós-verdade

(Foto: Carlos Sossa/H2FOZ)

José Afonso de Oliveira

Estamos vivendo momentos bastante críticos e difíceis no atual mundo globalizado. Tudo está em transformação muito rapidamente e novas formas de convivência vão sendo articuladas, mas até o presente momento nada ainda é definitivo.

Uma das questões que tem levantado sérias preocupações diz respeito à chamada pós-verdade, ou seja, vivemos hoje uma contestação generalizada a tudo o que existe.

É verdade que estávamos alicerçados em dois parâmetros fundamentais: a fé e a ciência. A fé que, por longos anos e ainda hoje, concede-nos determinadas verdades e que nos é dado a vivermos segundo preceitos que são organizados tendo como fundamento determinada crença religiosa.

A ciência articulada a partir do Iluminismo, em que vamos afirmar que a razão conduz todo o conhecimento e, por conta disso, definimos o homem como sendo um animal racional.

É bem conhecido que tudo isso organizou um mundo que agora está vivendo uma mudança de época com grande profundidade e intensidade.

É nesse contexto, no qual o passado parece não contar mais e o futuro é completamente incerto, que, de alguma forma, esse clima de incerteza começa a existir na sociedade. Por conta disso, passamos a descaracterizar o existente até o presente momento com a suposição de que poderemos construir algo de novo para novamente servir de fundamento para a convivência social.

Mas isso é muito arriscado e mais ainda perigoso, pois essa incerteza pode nos levar a grandes catástrofes, como já estamos em parte assistindo mundo afora. Pior é que poderemos entender que a verdade simplesmente não existe, não passando de uma mera criação humana para justificar determinadas sociedades.

Ora, a negação da vida humana e, por extensão da sociedade, já foi discutida, com a devida profundidade, por Friedrich Nietzsche, tanto quanto também pelos existencialistas, especialmente por Jean Paul Sartre.

Avança hoje a chamada pós-verdade ao buscar novos procedimentos, novas formas de pensar e entender a vida, possibilitando o surgimento de uma nova sociedade que possa ter a razão e o sentimento como base dessa sociedade, mas razão e sentimento entrelaçados, e não mais separados. Teremos, pois, de viver esperando em que tudo isso vai dar.

* José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.

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