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Tempo enevoado

(Foto: Carlos Sossa/H2FOZ )

José Afonso de Oliveira (*)

Estamos observando que o nosso céu está enevoado, ou seja, uma névoa encobre todo o nosso dia. O Sol parece que ficou pequeno e não brilha, e tudo isso faz com que o nosso dia deixe de ser bonito, exuberante com raios solares.

Todos se perguntam o que está acontecendo, e são dadas as mais variadas explicações, que vão das tradicionais, que Deus quis assim, até as teorias mais estapafúrdias possíveis.

Mas o que estamos vivendo tem relação direta com as queimadas que estão ocorrendo no Norte do Brasil, na região amazônica brasileira. Há uma corrente de ventos e de vapor que, procedendo da região amazônica, traz umidade e provoca chuvas, e assim o nosso tempo é bem equilibrado.

Ocorrendo as queimadas como estamos assistindo, há uma brusca mudança do tempo, e aí sim temos esse fenômeno da névoa. Além dele temos igualmente a seca prolongada que estamos vivendo. Ela sempre ocorre em agosto, com ventos fortes no final daquele mês e muita chuva e frio em setembro. Estamos observando que o tempo está completamente alterado, e agora é que esse fenômeno de agosto está ocorrendo, só que com uma intensidade muito maior.

Veja que estamos falando do tempo e das mudanças climáticas aqui no Brasil por influência direta da ocorrência de desmatamento grandioso, acrescido de queimadas enormes. A Amazônia é muito importante para todo o planeta, pois além de conter a maior bacia fluvial do planeta tem também um rio aéreo de evaporação imenso que regula todo o clima do planeta.

Isso significa dizer que, mudando as condições da Amazônia, o mundo inteiro será alterado. Mas a Amazônia é brasileira e deve ser mantida pelos brasileiros, podendo contar com ajuda internacional. Ela pode e deve ser utilizada para agricultura, pecuária, extração mineral e outras tantas atividades lucrativas, porém exige cuidados, tudo isso tem de ser feito dentro de padrões de racionalidade que possibilitem a manutenção da vida nela existente.

Aqueles que melhor podem preservar a Amazônia são os seus habitantes... indígenas, trabalhadores, enfim, todos os que dela vivem. Preparados e tendo condições, eles passarão a ser os verdadeiros guardas dessa imensa reserva natural, riquíssima em biodiversidade e que deve ser utilizada para as mais variadas finalidades; tudo, entretanto, dentro de uma lógica de racionalidade, pois do contrário ela será destruída.

José Afonso de Oliveira é sociólogo e professor universitário em Foz do Iguaçu.