Cadê os aviões de carreira? Já em outubro, Foz começa a recuperar voos perdidos

H2FOZ e Assessoria

O que diria o humorista Apparicio Torelly, o Barão de Itararé, que há 70 anos cunhou a frase “há algo no ar além dos aviões de carreira”? Nos céus de Foz, há de tudo. Raro é o ronco de um avião, antes quase incessante.

Mas, acredite: os voos de e para Foz do Iguaçu vão voltar. O turismo está ressuscitando, devagar. Os voos vêm na sequência, porque as empresas aéreas também estão saindo da UTI, onde ficou – e ainda está – todo o setor de turismo, por culpa da pandemia de covid-19.

Um levantamento feito pela Secretaria Municipal de Turismo, Indústria, Comércio e Projetos Estratégicos revelou que, até dezembro, 93% dos “aviões de carreira” estarão de volta a Foz do Iguaçu, em pousos e decolagens quase como aconteciam no fim de 2019.

O pessoal da secretaria utilizou uma ferramenta de pesquisa e reserva de viagens aéreas, o sistema de gestão de vendas Sabre, para chegar a esse percentual que hoje parece otimista. A ferramenta mapeia, em tempo real, as mudanças de voos de mais de 400 empresas do mundo inteiro.

E Foz está bem na Sabre. Para dezembro, estão programados 1.455 pousos e decolagens no Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, uma média de 47 por dia, que resultarão na oferta de 219.386 assentos.

Esse número de assentos representa 86% do total ofertado em dezembro do ano passado. Mas a movimentação começa bem antes.

Já no mês de outubro – daqui a 31 dias, portanto -, as aéreas programaram 1.020 pousos e decolagens, com 154.598 assentos. Para novembro, 1.405 pousos e decolagens e 212.018 assentos.

Mesmo otimista, o secretário Gilmar Piolla é cauteloso. Ele lembra que são “voos programados”, isto é, vão depender da demanda, que por sua vez vai depender de condições sanitárias favoráveis. “Independentemente de uma vacina, esperamos que todos esses voos sejam confirmados”, diz Piolla.

Os “aviões de carreira” nos céus de Foz, no momento, resumem-se a voos diretos para os aeroportos Viracopos, em Campinas, e Guarulhos, em São Paulo.

No total, são quatro voos diários regulares, dois da Latam, um da Azul e outro da Gol. Como tem o feriadão de 7 de setembro, serão 168 operações neste mês, uns 10% do que seriam em outros tempos.

Mais conexões

Em todos os casos, outubro está perto. No dia 5 daquele mês já haverá voos para Curitiba e Porto Alegre. E, no dia 25, para o Rio de Janeiro e Santiago do Chile.

Para Curitiba, a Azul confirmou o retorno de voos de segunda a sexta-feira. De Curitiba, o voo sairá às 11h25 e, daqui, às 16h10.

De Porto Alegre, serão voos três vezes por semana (segunda, quarta e sexta). De lá, a saída è às 14h35; de Foz pra lá, às 17h10.

Rio e Santiago

A partir do dia 25 de outubro, a Gol inicia voos diários entre Foz e o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Serão quatro frequências diárias, com saída do Rio às 7h15,  9h30, 15h50 e 21h20. Retorno de Foz do Iguaçu para o Rio será às 05h55, 10h05, 12h20 e 18h35.

No mesmo dia, começa a operar o voo da companhia ultra low coast JetSmart ligando Santiago do Chile a Foz do Iguaçu, duas vezes por semana, aos domingos e quintas. Voo sai de Santiago do Chile às 17h30 e chega em Foz às 20h25. O retorno será às 21h20 com chegada em Santiago à 0h25.

Surpresa geral

Sem choque térmico, sem queimar os pés. Fingers estão instalados. Foto Christian Rizzi

Para quem já conhece Foz e vem rever os atrativos, a surpresa vai começar já no aeroporto. Nada de descer no asfalto fervendo, com risco até de fritar os sapatos. Haverá quatro fingers, as pontes que levam do avião até o terminal.

Sem contar as outras obras, que por enquanto incluem o pátio ampliado e logo também a ampliação da pista, que permitirá pouso e decolagem de grandes aeronaves.

“Esta estrutura projeta a cidade para implantação de conectividade para todo o País e América do Sul”, avalia o presidente do Fundo Iguaçu, Enio Eidt.

O Barão de Itararé

Já que foi citado o Barão de Itararé, é preciso falar rapidamente que esse título de “barão'” foi ele mesmo quem se concedeu.

O gaúcho Apparicio Torelly (1895/1971), que atuou como jornalista, humorista e poeta, principalmente no Rio de Janeiro, foi pioneiro em juntar humor e crítica política. Ferino, não perdoava ninguém. E também não era perdoado: durante a ditadura do Estado Novo, foi preso diversas vezes.

A frase “há algo no ar além dos aviões de carreira” ele cunhou para insinuar que o Estado Novo estava definhando.

Era o rei das frases e trocadilhos. Um dos melhores foi com “Entre sem bater”. Como certa vez a polícia entrou em sua sala, sequestrou-o e torturou-o, ele colocou o aviso em sua sala de trabalho.

Pra fechar: “Viva cada dia como se fosse o último. Um dia você acerta”.

Publicado no site Pensar Contemporâneo.
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