O fim da escala de trabalho 6 por 1 e a implantação da escala 5 por 2 foi pauta de uma audiência pública, realizada nesta terça-feira, 10, no Plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Participaram do debate, além dos parlamentares, representantes de entidades sindicais e de órgãos públicos e trabalhadores.
A iniciativa foi da Liderança da Oposição da Assembleia. Para o deputado estadual e líder da oposição, Arilson Chiorato (PT), a pauta tem impacto direto na qualidade de vida da população trabalhadora.
Segundo ele, o tema é o mais importante para a classe trabalhadora do país nos últimos anos e que a redução na jornada reflete diretamente na vida das famílias, na saúde do trabalhador e no tempo que ele tem para estar com os familiares, para o lazer e para a cultura.
Conforme o deputado Requião Filho (PDT), é preciso convencer os trabalhadores de que ter direitos não é ter prejuízo. A “pejotização” — abrir mão de férias, de aposentadoria e de FGTS — é um benefício imediato, mas que lá na frente será um grande prejuízo, argumentou.
Luciana Rafagnin (PT) chamou atenção para a condição das mulheres, que fazem jornadas duplas ou triplas de trabalho.
De acordo com o deputado Renato Freitas (PT), o debate representa a construção da dignidade do trabalhador a partir da luta.
Reivindicação histórica
Presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) do Paraná, Márcio Kieller destacou que o fim da escala de trabalho 6 por 1 é uma reivindicação histórica dos trabalhadores brasileiros, a qual remonta à década de 1980, quando a Constituição federal estabeleceu a jornada semanal de 48 horas — posteriormente reduzida para 44. Desde aquela época, o movimento sindical defende a redução para 40 horas semanais sem diminuição de salário.
O presidente da CUT ainda ressaltou que estudos e experiências em outros países e em algumas empresas brasileiras “indicam que a redução da jornada não diminui a produtividade; pelo contrário, trabalhadores mais satisfeitos e com melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal tendem a produzir mais”, afirmou.
Representante do Ministério Público do Trabalho, Fabrício Gomes de Oliveira frisou que a entidade apoia a mudança. “São seres humanos, não seres econômicos. Reduzir a jornada é um conceito de civilidade. Jornada é uma questão de saúde. Os mais cansados se acidentam e adoecem mais”, pontuou.
(Com informações da assessoria de comunicação da Alep)


