Dengue e lixo: a combinação ‘perfeita’!

Garrafa de refrigerante descartada de modo errado, vira criadouro de mosquito. Foto: Aida Franco de Lima.

Eu estava outro dia em frente um órgão ambiental. Havia um carro estacionado. E assim, do nada, uma embalagem de comida foi defenestrada. Como se a rua fosse uma grande lixeira. Aliás, eu já vi uns memes, em que a lixeira recebe o nome de chão, que é pra ver se as pessoas acertam.

Então, eu mudei de rota, fui próximo do carro, peguei o lixo. Andei uns metros, olhei na direção do motorista e sabia que ele estaria observando a mim também. Olhei pra ele, mostrei o lixo, direcionei o lixo para a lixeira e apenas falei o óbvio: lixo na lixeira. A minha vontade era de fazer igual naqueles vídeos do TikTok em que o cara fortão cata o lixo do sujismundo e joga pra dentro do carro dele.

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Mas se eu fizesse isso a minha vida estaria em risco. Aliás, também corri o risco de o motorista ter um ataque de fúria e não só observar a minha aula bruta de educação ambiental, como me agredir. Mas, indiretamente o motorista que joga o lixo pela janela, ou aquele seu vizinho que pega o lixo e joga longe o suficiente da casa dele, também coloca nossa vida em risco. A curto e médio prazo.

Se o mosquito da dengue encontrar um espaço ali, que sirva de berçário, ele estiver contaminado e nos adoecermos com seu contato, a culpa é de quem? E esse lixo, indo pra galeria pluvial, matando sufocando os animais, poluindo até as gerações seguintes, a culpa é mesmo de quem?

Foz do Iguaçu não é a única cidade do Paraná que tem risco iminente de decretar pandemia de dengue. O problema é geral. É no Brasil todo. Antes de chegarmos na metade do ano, já temos mais casos que o ano passado inteiro. Um recorde indesejável.

Lixo em local inadequado é convite ao mosquito que transmite a dengue
A árvore fez as vezes de lixeira. Foto: Aida Franco de Lima

Me lembro de há alguns anos quando os primeiros casos de dengue chamaram a atenção de todo o Brasil. E começou uma campanha para evitar os criadouros do Aedes aegypti e então escolheram como bode espiatório as bromélias, pois ela juntavam água. Precisou que alguns estudiosos viessem a público para pedir que não demonizassem as bromélias, pois o problema não era esse.

Na natureza a bromélia tem todo o seu ciclo completo, com os inimigos naturais que comem as larvas e não permitem que a água acumulada na planta seja fonte de problemas para os humanos. E se formos pensar, quem é que tem bromélias acumulando água em casa? Ainda bem que a planta da vez é suculenta, que reserva água sem medo de ser feliz.

Nem somente de bromélias e pratinhos embaixo das plantas proliferam os mosquitos. Antes fosse, e assim não estaríamos vivenciando uma epidemia, dengue, dentro de uma pandemia, covid. A raiz do problema está lá no motorista que atira o lixo pela janela. No investidor que lucra acumulando imóveis e não cuida dos mesmos. Na falta de cuidado das pessoas que acham mesmo que o chão é uma grande lixeira e podem jogar tudo que não lhes interessa mais.

Os agentes de combate à dengue jamais darão conta de limpar toda a cidade e a zona rural. Aliás, essa última também está impregnada por tampinhas de garrafa, copos de cafezinhos, sobras de plástico, de materiais de construção e tudo mais que acumula água e garante um berçario para os mosquitos.

Educação, educação ambiental, senso de pertencimento e mesmo multa. Precisamos mudarm o jeito de combater os motivos que originam as doenças que já fazem parte do calendário. Precisamos que o motorista deixe de jogar o lixo no chão, não porque alguém irá praticamente esfregar na sua cara que não se deve cometer tal ato. O motorista ou qualquer outra pessoa precisa aprender a efetuar o descarte correto principalmente quando não tiver ninguém lhe policiando. Esse é o efeito da Educação. Educar para uma ação.

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Aida Franco de Lima

Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo da autora.