Educação ambiental e multa: um disparo certeiro contra a dengue

Embalagem jogada em via pública, com a chuva, segue o caminho para a galeria pluvial. Foto: Aida Franco de Lima

Aida Franco de Lima – OPINIÃO

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As cidades paranaenses, em sua maior parte, têm uma boa estrutura para mantê-las limpas. Porém, sem a colaboração do cidadão, pode haver coleta contínua de lixo, dia e noite, noite e dia sem parar, que nada vai segurar o lixo que cai da mão, voa da janela do carro ou a fralda que brota no pé da árvore… O Paraná, como o restante do País, todo ano sofre com os surtos de dengue e agora estamos vivendo uma epidemia, dentro de uma pandemia, de covid. As UPAS – Unidades de Pronto Atendimento, estão lotadas. Sintomas gripais, dores no corpo, febre. Só quem teve os sintomas de covid ou dengue, sabe o quanto isso derruba qualquer indivíduo, inclusive com histórico de atleta.

E se todo ano nos deparamos com o mesmo problema, é sinal que temos que mudar o rumo desse trem. Temos agentes de combate à dengue que visitam as casas, vasculham os cantos, despejam a água de recipientes que podem ser foco para o mosquito procriar, orientam, alertam e parece que nada disso adianta! E qual a saída? Educação Ambiental e Multa!

A embalagem tinha acabado de ser aberta e foi jogada no chão. E só foi retirada por quem a jogou, porque a mesma sentiu-se coibida. Foto: Aida Franco de Lima

Hoje presenciei uma cena, que me fez pensar muito nisso. Estava na rua de casa, com a máquina fotográfica no ombro, e com as mãos recolhendo lixo da rua. Duas mulheres empurrando um carrinho de bebê pararam no meio do caminho para abrirem a embalagem de uma mamadeira. E, ‘naturalmente’, uma delas jogou a embalagem no chão. Automaticamente a olhei e ela, que não é boba nem nada, percebeu a máquina fotográfica e seus neurônios devem ter feitos conexões instantâneas que a levou a concluir que ali haveria um clique! Olhamos fixamente uma para a outra, igual àquelas cenas de filmes de velho oeste, onde os mocinhos irão duelar. A minha arma era a máquina, a dela estava no asfalto! Então, rapidamente ela sacou o lixo do chão, disfarçou, andaram um pouco à frente e o disparou na lixeira.

Isso significa que a moça sabe que é errado jogar lixo na rua. Porém, ela precisa ser educada ambientalmente para que não jogue o lixo no chão por saber das consequências para a sua saúde, de sua filha, da coletividade, para o meio ambiente. Pois se assim não o for, ela só irá descartar o lixo no local correto quando sentir-se vigiada, por um fiscal ou uma jornalista com uma máquina em punho.

Mas, se ainda assim, essa moça e qualquer outra pessoa tiver tido a chance de receber essa orientação e preferir jogar o lixo na rua, porque não se importa, então o caminho é a multa. Como foi para usar cinto de segurança, capacete, não fumar em ambiente fechado, usar extintor contra incêndio nos veículos, máscaras e assim por diante…

Sim, precisamos educar as pessoas para que elas compreendam a necessidade de manter o ambiente limpo para a qualidade de vida. E precisamos educar as pessoas para que elas também compreendam que se não querem aprender pelo amor, será pela dor, em uma das partes mais sensíveis do ser humano: o bolso.

E se essa mãe fosse incentivada a devolver a embalagem para algum posto de coleta? E ele fosse bonificada com algum produto? Temos que pensar em alternativas, em estímulos para frear a proliferação do mosquito transmissor da dengue e, consequentemente, com relação aos resíduos, praticar os 3 erres: reduzir, reutilizar e reciclar.

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Aida Franco de Lima

Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo da autora.