Lei do Animal Comunitário: um ‘trote’ inteligente!

Trote violento deixou calouros de veterinária queimados com creolina. Foto: Divulgação

Aida Franco de Lima – OPINIÃO

Os veteranos do curso de Veterinária, campus de Palotina da UFPR, que, na noite de 30 de março, queimaram os calouros com creolina podiam mostrar um pouco mais de criatividade e compaixão. Em vez de humilhar os futuros colegas de profissão, poderiam orientá-los sobre o problema dos animais abandonados, a triste situação dos acumuladores e a necessidade de os municípios realizarem parcerias e convênios com as clínicas veterinárias. Poderiam fazer uma competição para ver qual equipe construiria mais casinhas para cães de rua. O inverno logo chegará e esses animais seriam reconfortados com o resultado de um trote mais inteligente.

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Na minha época, a gente fazia dessas graças, mas lá em 1993 já era OPCIONAL brincar na lama, pedir dinheiro no semáforo e depois ficar dançando nas proximidades da UEPG. Esses veteranos aí voltaram ao túnel do tempo. Trote não rima mais com ação violenta, afinal, já basta a vida fora da universidade…

Que graça tem pedir dinheiro no sinal de trânsito, para tomar um pileque, se ali ao lado tem famílias inteiras vendendo balas ou pedindo, para matar a fome ou até mesmo se embriagar, porque a vida real é um pesadelo?

Lei que permite animais cuidados em espaços públicos ainda é pouco divulgada.
Foto: Aida Franco de Lima

Não imaginava que em pleno ano de 2022 ainda havia trote violento. Será que isso é reflexo de dois anos de pandemia, em que o recolhimento e o distanciamento social nos fariam mais humanos?

21 jovens queimados, 03 suspeitos apreendidos e liberados após pagar fiança com uso de tornozeleira eletrônica e risco de expulsão. Parece que é um trote reverso, que todos perdem!

Será que os veteranos sabiam que creolina queima? Vocês já sentiram o cheiro de creolina? Quando fazia mestrado e doutorado na PUC SP, em perdizes, um bairro nobre da Capital, eu inalei brevemente o odor por longos seis anos, enquanto percorria as calçadas dos prédios residenciais. Ela é muito usada para desinfectar ou disfarçar o odor do xixi e fezes dos cachorros que moram nos apartamentos e são levados para passear no início da manhã e fim de tarde. Era muito comum observar os condutores com sacolinhas nas mãos, mas para recolher o xixi é impossível, então: dá-lhe creolina. Se creolina no concreto já deixa sua marca, imagina na pele?

E será que os veteranos sabem que temos uma Lei paranaense que institui o Animal Comunitário, através da Lei Nº 17422 DE 18/12/2012? Se não conhecem, passou da hora de conhecer e até mesmo ajudá-la a colocar em prática. A Lei institucionaliza que um animal possa ser cuidado em via pública e, naturalmente, irá passar por cuidados veterinários. Ou seja, será um futuro cliente dos futuros veterinários. Uma mão lava a outra, ambas ajudam o cachorro, o profissional e não queimam a pele de ninguém!

Imaginem se nas universidades, não apenas nas que ofertam Veterinária, os acadêmicos colocassem em prática essa Lei? E não só essa, como tantas outras relacionadas a direito dos animais… Imaginem se os trotes fossem algo educativo, que estimulasse os calouros a participarem? Se assim fosse, aplicando leis que beneficiam os mais fracos, os considerados ‘mais fortes’ não precisariam exibir adornos nos calcanhares. E os calouros não usariam, no lugar do banho de lama que remete às brincadeiras de infância, pomada anti queimadura, por culpa de quem fez ‘caca’.

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Aida Franco de Lima

Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo da autora.