Os rios voadores e a influência no ritmo das chuvas

Os rios voadores influenciam diretamente nos níveis de chuva. Foto: Funbio

Por Aida Franco de Lima – OPINIÃO

Tem feito muito calor recentemente e a expectativa pelas chuvas fica gigante, assim como o tamanho dos rios voadores. Sim, eles existem e nós humanos, precisamos tanto deles como as aves do céu para voar. Mas vamos entender como funciona isso?

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De acordo com a professora doutora em Geografia, Nadir Leandro de Souza, os rios voadores resultam de um complexo sistema atmosférico. Eles dependem da existência da vegetação da Floresta Amazônica e também do relevo da América do Sul, caracterizado por áreas mais elevadas ao oeste, Cordilheira dos Andes, e a leste topografia de menor altitude.

Para compreender como os rios voadores são formados, basta nos lembrarmos das gotinhas de água de um terrário. Imagina a Floresta Amazônica inteira jogando para o ar essas gotinhas também… Foto: Aida Franco de Lima

Sua importância é tão grande que respondem pela dinâmica da condição climática de toda a América do Sul. Os rios voadores nascem através do processo de evapotranspiração da Floresta Amazônica. Sim, as plantas transpiram. Já observou uma planta em um terrário, quando o vidro fica cheio de gotículas? Imaginou uma floresta inteira fazendo esse processo? Some-se a isso os ventos  úmidos, originários do Oceano Atlântico, carregados pelos chamados ventos alísios.

Essa imensidão de gotículas, a evapotranspiração, mais os ventos úmidos do Atlântico  formam uma quantidade muito grande de vapor de água que se encaminha em direção à cordilheira dos Andes. E ali há um processo muito importante, pois essa massa carregada de umidade, emprestada da Floresta Amazônica, depara-se com um paredão gigante: a cordilheira dos Andes. A tempestade perfeita está pronta para acontecer, pois essa massa úmida agora está diante de  uma área mais fria, que formará chuva.

Mas essa água toda não vai despencar em um lugar só! Ainda bem, a natureza é mesmo perfeita! Essa massa de vapor de água é  empurrada em  direção ao Sudeste, Centro-Oeste e Sul  do Brasil. É uma dinâmica tão complexa que envolve até o deserto do Saara. Porque há influência dos ventos, que trazem sedimentos do Saara que inclusive ajudam a alimentar a Floresta Amazônica.

Sabe quando caem frutos, folhas e galhos na frente das casas e as pessoas querem que cortem porque percebem que isso é sujeira? Para a floresta, qualquer uma delas, isso tudo é alimento!  Então há ali na Floresta Amazônica uma vegetação exuberante, que se desenvolve sobre um solo arenoso. E isso favorece a passagem da água para o interior da terra, dando origem a grandes lençóis  freáticos, um ‘mar’ de água embaixo da terra!  E assim, árvores de grande porte, com 50 a 60 metros e suas raízes enormes, absorvem e devolvem essa água pelo processo de evapotranspiração.

Isso tudo forma uma quantidade gigante de vapor de água. Acredita-se que o que tem ali se aproxima da quantidade de água que deságua da foz do Rio Amazonas rumo ao Atlântico.

É como se fosse uma grande fábrica, com uma engenharia perfeita, autossustentável, envolvendo a massa de ar, a própria atmosfera,  a floresta, a presença de água. Mas isso tudo tem sido rompido com o processo das queimadas e o desmatamento, intensificadas nos últimos anos. O resultado é a redução ou destruição da floresta  e isso implica na quantidade de água em suspensão.

Então nos deparamos com uma matemática básica:  menos floresta, gera menos evapotranspiração, resultando em menos vapor de água em suspensão, logo redução drástica das chuvas. Chuvas estas que chegariam no Cerrado,  oeste de São Paulo e sul Brasil, como aqui em todo o Paraná. E nós já estamos percebendo essa redução da umidade, com ondas de calor acima da média e escassez das chuvas de verão.

Os rios voadores estão diminuindo a quantidade de água. Como se fosse um rio secando.

As autoridades precisam criar mecanismos para proteger esse sistema. Toda a economia é afetada com a redução das chuvas. A razão primeira para proteger essa preciosidade natural é o existir da vida humana. Nessa grade indústria é como se o gerente estivesse apenas tirando peças da engrenagem principal, no caso, a floresta. E sem ela, não há vida.

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Aida Franco de Lima

Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo da autora.