Shih Tzus, Lhasa apso: quer pagar quanto?

Filhotinho em tratamento veterinário. Estava com bichos nos olhos e focinho. Foto: Divulgação

Aida Franco de Lima – OPINIÃO

O resultado de quem adotou, comprou ou conseguiu de outros modos seu cachorrinho da moda, mais por ostentação que qualquer outro motivo, nos últimos anos, chegou! É a ressaca do pós-peludinho que está aparecendo. Pessoas que levaram pra casa um cachorrinho fofinho, lhasa, shih tzu, agora os abandonam, vendem baratinho, doam.

WHATSAPP – Assine a nossa linha de transmissão.

TELEGRAM – Entre em nosso grupo.

Não porque a economia está instável, é porque esse tipo de pessoa levou o animal para casa por status, por modismo ou para faturar nas costas do bichinho. E quando tem que levá-lo para um veterinário, para o petshop, comprar uma ração que presta, uma vacina importada, um remédio de uso contínuo, aí prefere, muitas vezes jogá-lo nas ruas!

Basta olhar nas redes sociais, nas páginas das entidades protetoras e lá estarão os inúmeros casos. Nos exemplos que ilustro esse texto não coloquei as fotos dos ferimentos e larvas retiradas dos cãezinhos que foram resgatados, para poupar os leitores que amam os animais. Pois quem só os usam não se chocam com nada. Quem os abandonam não são inocentes, não sentem a dor do outro e a carapuça não lhes servem!

Filhote abandonado no mato
Filhotinho ‘peludinho’, adoecido com bichos nos olhos foi abandonado em cachoeira. Um rapaz o socorreu e uma ONG, Amigos de Patas, pagou tratamento veterinário. Foto: Divulgação

Adotar, comprar ou ‘adquirir’ um animalzinho de estimação exige responsabilidade. No mínimo pensar que o bichinho, se bem cuidado, estará sob sua responsabilidade por dez, quinze anos ou mais. É muito comum, as pessoas se desfazerem dos mesmos porque mudam de casas e alguns locadores não aceitam animais. Mas e antes da chegada do animalzinho, pensou-se na possibilidade de incluí-lo nas fases seguintes, ou seria apenas mais um objeto que não caberia na mudança?

Momentos do resgate de animal ‘peludinho’, que perambulava pelas ruas. Mas seu estado de abandono não atraia a atenção tanto quanto aqueles que estão com aparência saudável, prontos para ostentação de seus tutores.

Animal ‘de raça’ sempre desperta mais interesse. Nem precisa testar, é comprovado. Se você oferecer um cachorro ‘caramelo’, aquele vira-latas que aparece em todos os B.O.s (Boletins de Ocorrências) as pessoas vão até curtir, mas vai demorar para aparecer alguém que realmente adote. Mas se for um de raça, peludinho, a pergunta é: ‘está disponível?’ Ou: eu quero!

Resumo da história do filhote abandonado para morrer, em uma cachoeira. Esse teve a ‘sorte’ de ser resgatado, mas quantos outros agonizam sem socorro? Foto: Amigos de Patas

Os tais peludinhos exigem cuidados especiais e abandonados ao próprio destino, não terão a mesma sorte dos caramelos a começar pelo seu principal atrativo, a pelagem. O caramelo se livra com mais facilidade dos carrapichos e consegue até se coçar. O peludinho, mais se embola quando mais se coça. E esse é só um exemplo, de uma série de problemas que só aumentam o sofrimento de animais que não foram programados para se virar longe da vida civilizada.

Os fermentos que se escondiam sob a pelagem embolada, vivendo nas ruas
Animal recolhido das ruas, pode ter até mesmo se perdido, mas há a forte tendência de que foi mais uma vítima de abandono, O animal de raça perde o charme, quando a questão financeira fala mais alto

Quem quer ter um animal da moda, mais por impulso que por consciência, tem que pensar com a parte que mais lhe dói: o bolso! No ano 2000 uma propaganda, das Casas Bahia, gerou fama e confusão. Nela, o garoto propaganda dizia assim: “Quer pagar quanto??”. Gerou fama porque alcançou muita gente e confusão porque muita gente também se aproveitou da ocasião para, com brechas jurídicas, oferecer uma miséria por eletrodomésticos valiosos. Antes de levar pra casa um animal pense na propaganda famosa e responda a sim mesmo: quer pagar quanto, quando o animal adoecer e não valer mais nada!? Vai meter a mão no bolso ou descartá-lo como lixo?

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

Quer divulgar a sua opinião. Envie o seu artigo para o e-mail [email protected]

Gostou do texto? Contribua para ampliar o jornalismo em Foz do Iguaçu. ASSINE JÁ

Já escutou o último episódio do GUARÊ, o podcast do H2FOZ? OUÇA AGORA

É proibida a reprodução total ou parcial deste conteúdo sem prévia autorização do H2FOZ.

Aida Franco de Lima

Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo da autora.