Vendavais no Paraná, pós Dia da Terra

Quanto mais impermeabilizado o solo, mais frágeis ficam as árvores que vão ao chão com as rajadas de vento cada vez mais frequentes. Foto: Aida Franco de Lima

Aida Franco de Lima – OPINIÃO

Amanhecemos o dia 23 de Abril, um dia posterior ao Dia da Terra, com as notícias de um rastro de destruição no Paraná. Ventos fortes e chuva, em alguns locais, com granizo, derrubaram árvores, postes, alagaram residências. Milhares de estabelecimentos sem energia, água, internet. Quem sobrevive a isso? E como a Terra sobrevive a nós, humanos?

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Ruas de Maringá, interditadas com árvores e postes caídos, em virtude do temporal da madrugada. Foto: Redes Sociais

A data, Dia da Terra, é para nos lembrarmos sobre o modo como tratamos nosso Planeta. Mas, se pensarmos sob uma ótica bem direta, o que é que estamos fazendo com a terra propriamente dita? Sim, já olhou a seu redor? Tem terra no alcance de sua vista ou está tudo impermeabilizado? Já perceberam que as tragédias que acontecem com nossa Terra, o Planeta, está diretamente ligado ao que provocamos com a terra, solo, chão?

Lavoura de milho devastada, na região de Formosa do Oeste. Foto: Redes Sociais

Já tratei a respeito desse tema, no texto “Petrópolis e o nosso quintal“, mas quero falar mais. Sempre há muito mais o que dizer, quando tratamos de nossa vida. E defender o Planeta é uma forma de nos protegermos.

Nossas crianças mal sabem o que é pisar na terra, ficar com os pés sujos de terra e não de poeira de piso de apartamento, grama sintética ou calçada. Claro, tem uma parte delas que pisam direto na terra por falta de sapatos, brincam nos esgotos pela ausência de saneamento básico.

Mas o que tento dizer é que precisamos repensar o que estamos fazendo com nossas cidades. Estamos passando o concreto, o piche por tudo. Até ao redor das árvores. As leis que regulam que os terrenos devem ter uma área livre para comportar as águas das chuvas estão sendo cumpridas? Nós sabemos a resposta: não.

Em Cianorte, no Noroeste, a força dos ventos fez com que os tapumes de obra parecessem folhas de papel.
Foto: Aida Franco de Lima

Com o período da pandemia as pessoas descobriram o gosto pelo cultivo de plantas ornamentais e para uso alimentício, medicinais, entre outras. É um começo, mas ainda é pouco. Estamos correndo contra o relógio.

Nossas cidades estão abrindo vagas para carros e motos e retirando os gramados. Nosso veículos motores estão sendo priorizados em detrimento do espaço para o pedestre, para a criança, para o ciclista, que não precisa necessariamente ser todo impermeabilizado.

Prestem atenção, quando há tragédias, supostamente ‘naturais’, tem lá o dedinho do homem. Quando as encostas desmoronam, e ocorrem as tragédias humanas, é porque há construções abaixo delas, onde não devia ter! Quando os rios sobem e alagam a margem, é porque as águas tomam de volta o que lhes pertencia. “Ah, mas quer morar no meio do mato vai morar na Amazônia!”. Nem Amazônia escapa, o garimpo ilegal está devastando tudo. Zona rural também não. A mata ciliar, que como os cílios de nosso olhos, deveriam proteger os olhos d’água, foi para o brejo. Nem brejo, na verdade temos mais. O monocultivo e os agrotóxicos tomaram conta de quase tudo!

Morador mostra a situação da cidade de Maripá, após a tempestade. Vídeo: Redes sociais

Sim, quando éramos crianças presenciamos tempestades. Mas não da forma atual. Isso tem nome e sobrenome: Mudanças Climáticas. A Terra está mandando seu recado. E então, o que nós cidadãos ‘comuns’ estamos fazendo? E as cidades? E os estados? E o Brasil como um todo, que tem feito para frear essa situação? As atitudes deviam começar de cima para baixo, mas nada impede que nós, cidadãos, façamos nossa parte. Você assiste às sessões da câmara dos vereadores de sua cidade? Se lembra em quem votou? Conhece o Código de Posturas? Costuma ligar para a Ouvidoria? Apoia alguma ONG ? Rega ou envenena a árvore da calçada? Lá naquele pedacinho de terra da sua família ou dos amigos, na zona rural, existe mata ciliar? Os animais silvestres são apreciados ou escorraçados? Cada um de nós somos a gota no oceano, mas devemos fazer a diferença. A conta chegou. Temos que acertar agora ou pagaremos com as vidas das futuras gerações o que estamos deixando em débito hoje.

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Aida Franco de Lima

Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo da autora.