Às vésperas do início da vacinação, um panorama da covid-19 na fronteira e mundo afora

Já estava mais do que na hora. Na manhã deste sábado, 16, caminhões carregados com insumos para a vacinação saíram de Curitiba, para distribuição de lotes a todas as regionais de Saúde. A imunização deve iniciar até o final da semana que vem, se tudo correr conforme o previsto.

Enquanto a vacina não chega, vamos acumulando casos e, infelizmente, cada vez mais óbitos. Em Foz, a média em janeiro está sendo de quase três mortes por dia.

O mundo inteiro está apavorado. Em 28 de setembro, o total de mortes havia chegado a um milhão. Em menos de quatro meses, o total duplicou, o que mostra a mortalidade cada vez maior provocada pela pandemia.

A vacina vai contribuir pra reduzir esta mortalidade, ao longo de 2021. Mas não vamos nos livrar tão cedo das máscaras e da necessidade de distanciamento social.

FOZ, LÍDER EM CASOS E 2º LUGAR EM MORTES, NO PARANÁ

Fonte: Sesa

A regional de Saúde de Foz lidera o ranking estadual em número de casos (7.472, ante a média paranaense de 4.286).

E está em segundo lugar em mortalidade pela doença. São 103,6 mortes a cada 100 mil habitantes, enquanto no Paraná a média é de 77,9. A regional daqui só perde, por pouco, para a Metropolitana (104,6 mortes a cada 100 mil moradores).

No informe de sexta-feira, a Vigilância Epidemiológica contabilizava 20.504 casos e 308 mortes desde o início da pandemia. Dessas mortes, 42 ocorreram só na primeira quinzena de janeiro, uma média de quase três óbitos por dia.

GOVERNO DO PARANÁ DISTRIBUI INSUMOS, À ESPERA DAS VACINAS

O avião com uma carga de 2 milhões de doses da vacina AstraZeneca/Osford, importada da Índia, deve chegar neste sábado, 16, ao Brasil.

Neste domingo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai analisar o pedido de uso emergencial desta vacina, feito pela Fundação Fiocruz, que depois deve produzir o imunizante no Brasil. E analisará, também, o pedido feito pelo Instituto Butantan para a vacina Coronavac.

Se o pedido for aprovado, em até cinco dias – segundo o Ministério da Saúde – será feita a distribuição da vacina produzida na Índia aos Estados. A imunização vai começar simultaneamente em todo o país.

Também neste sábado, partiram de Curitiba quatro caminhões carregados com a primeira remessa de insumos destinados à vacinação, que serão distribuídos às regionais de Saúde.

A primeira remessa de insumos já saiu dos depósitos em Curitiba, rumo às regionais de Saúde. Foto Jonathan Campos/AEN

Como será a imunização

O Plano Estadual de Imunização prevê que a vacinação começará por profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate ao vírus, formado por 272.817 pessoas; população indígena mapeada em 30 municípios paranaenses (10.565 pessoas); e idosos institucionalizados (moradores de asilos e casas de repouso) com 60 anos ou mais (12.224 pessoas).

Entram também na lista quilombolas e comunidades tradicionais ribeirinhas, quantidade que ainda está sendo contabilizada pela Secretaria de Estado da Saúde.

Essa fatia da população será atendida logo na primeira remessa de vacinas que chegar ao Paraná. A estimativa da Secretaria de Saúde é que o Estado receba 100 mil dos 2 milhões de doses do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford e pelo Laboratório AstraZeneca.

O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, destacou que outras 300 mil doses do imunizante Coronavac, do laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo, completarão o conjunto inicial de 400 mil doses.

Casos e mortes

No Paraná, a média móvel de casos, nos últimos sete dias, ficou em 2.975, uma alta de 20,5% em comparação com 14 dias atrás. A média móvel de mortes foi de 36, que representa uma queda de 28,2% em relação há duas semanas.

Em todo o Estado, 83% dos leitos de UTI estão ocupados, um índice muito preocupante. O Paraná totalizou na sexta-feira 493.621 casos confirmados e 8.966 mortos em decorrência da doença.

NO BRASIL, PELO 4º DIA SEGUIDO, MAIS DE MIL MORTES POR DIA

O Paraná no ranking brasileiro: 6º em casos e 8º lugar em mortes.

De quinta para sexta-feira, 15, o Ministério da Saúde registrou mais 1.138 mortes. Foi o quarto dia seguido com mais mais de mil óbitos diários.

O total acumulado chega a 207.095 óbitos e ainda há 2.701 mortes em investigação. A soma de casos acumulados chegou a 8.393.492.

Havia na sexta-feira 823.867 pessoas com casos ativos em acompanhamento por profissionais de saúde, um aumento em relação a quinta, quando este número era de 777.496 pacientes. Outras 7.361.379 pessoas já se recuperaram da doença.

Na lista de estados com mais mortes, o topo é ocupado por São Paulo (49.600), Rio de Janeiro (27.591), Minas Gerais (13.182), Ceará (10.209) e Pernambuco (9.964). Os Estados com menos óbitos são Roraima (805), Acre (835), Amapá (994), Tocantins (1.301) e Rondônia (1.993).

PARAGUAI, ESTABILIDADE NUM PATAMAR ALTO

A preocupação das autoridades de Saúde do Paraguai é com a estabilidade no aumento de casos e mortes. Diariamente, há sempre mais de mil casos e mais de uma dezena de mortes. E isso há algumas semanas. O Ministério de Saúde Pública descarta que o país vive uma segunda onda da pandemia.

No balanço até sexta-feira, o Paraguai registrava 120.789 casos e 2.749 mortes. Há ainda 847 pessoas internadas, das quais 187 estão em unidades de terapia intensiva.

Assunção e o departamento Central são o epicentro de contágios, mas a situação também não está boa em Alto Paraná (cuja capital é Ciudad del Este), Itapúa e Caaguazú.

Não há previsão de quando o país receberá vacinas, mas a Rússia se prontificou a vender a sua Sputnik V. O Ministério de Saúde acredita que a imunização poderá acontecer em abril ou maio.

ARGENTINA RECEBE SEGUNDO LOTE DE VACINA RUSSA

Apesar de todas as medidas restritivas, a situação na Argentina também é preocupante. Foto Agência Télam

Neste sábado, chega ao aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, o avião que traz a segunda dose de vacinas Sputnik V, que será aplicada nas pessoas já imunizadas com a primeira dose. Serão 300 mil imunizações, um número baixo se considerada a população do país – 46 milhões de habitantes.

Se tudo correr conforme o previsto e o Paraná receber as 400 mil doses esperadas, o Estado ficará em melhor situação que o país vizinho. Mas tudo depende deste “se”…

A Argentina registrou, de quinta para sexta-feira, mais 103 mortes e 12.332 novos casos de covid-19. O total de casos elevou-se para 1.783.047 e o de óbitos para 45.227.

No ranking mundial, o país foi superado, em casos e mortes, pela Alemanha e Colômbia. Em casos, está agora em 12º lugar; e em mortes, em 13V.

UM MILHÃO DE MORTES EM APENAS QUATRO MESES

Situação no mundo às 10h06 deste sábado, dia 16. Números são atualizados constantemente.

Um milhão de pessoas mortas em quatro meses. Dois milhões desde o início da pandemia, em mais de um ano. Quase oito vezes a população de Foz do Iguaçu.

E o que preocupa mais: a mortalidade vem aumentando, já que o primeiro milhão de mortes foi registrado em 28 de setembro.

Pelo painel on line da universidade americana Johns Hopkins, o número desta manhã de sábado: 2.011.331 mortes. E um total de 93.966.880 casos, metade deles na soma de apenas três ou quatro países, com a liderança de Estados Unidos, Índia e Brasil.

E seis países também concentram metade das mortes: Estados Unidos, Brasil, Índia, México, Reino Unido e Itália.

Haja vacina!

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(COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS, AGÊNCIA BRASIL, AGÊNCIA MUNICIPAL DE NOTÍCIAS, AGÊNCIA TELAM – ARGENTINA – E MINISTÉRIO DE SAÚDE PÚBLICA DO PARAGUAI)

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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