Saúde em "estresse" no Paraguai, devido aos casos de covid que não param de aumentar. Foto Ministério de Saúde Pública do Paraguai

Covid-19: diferenças e semelhanças entre Paraguai e Paraná

O Paraguai chegou na segunda-feira, 7, a 375.996 casos e 10.005 mortes por covid-19, desde o início da pandemia.

O Paraná, na mesma data, somou 1.115.630 casos confirmados e 27.014 óbitos.

Com 11.516.840 habitantes (2020), o Paraná é pouco mais de um terço (36%) mais populoso que o Paraguai (7.353.000, previsão para 2021).

As mortes por covid-19, no Estado, são 2,7 vezes superiores à registrada no país vizinho. E há 3 vezes mais casos confirmados.

Outro número confirma que, proporcionalmente à população, morre-se mais de covid no Paraná.

O Estado tem o acumulado de 234 mortes a cada 100 mil habitantes; o Paraguai, 136 mortes a cada 100 mil habitantes.

NÚMEROS NOVOS

Contudo, embora longe de estar controlada, a pandemia no Paraná apresenta agora dados proporcionais menos assustadores do que no Paraguai.

A média diária de mortes no Paraná, por exemplo, ficou em 52, na semana até a segunda-feira, uma queda de 52% ante duas semanas atrás.

No Paraguai, a média diária passou de 100. E o país ainda teve recorde de óbitos no domingo: 135. Um dia antes, 130; na segunda-feira, 131.

Nessa mesma semana até segunda-feira, o Paraguai ficou em 2º lugar no mundo em mortes por milhão de habitantes: 114,83, conforme o site Our World in Data.

Na semana anterior, estava em 1º, mas foi novamente superado pelo Uruguai (119,76 mortes por milhão de habitantes, nesta última semana).

SATURAÇÃO

No domingo, o ministro de Saúde Pública do Paraguai, Julio Borba, disse que “o sistema está extremamente estressado pela quantidade de pacientes nos serviços de saúde”, conforme o jornal Última Hora.

Havia 4.049 pessoas internadas com covid-19, das quais 587 em unidades de terapia intensiva.

Situação pior, proporcionalmente, mas não muito diferente da que o Paraná vive: 2.860 pacientes internados, dos quais 1.341 em UTI.

Mas havia também outros 3.253 pacientes internados, dos quais 1.200 em leitos de UTI, com suspeita de ter covid-19, à espera da confirmação pelos exames.

O Paraná está em luto oficial por três dias, desde segunda-feira, 7, pelos mortos por covid-19. Foto Jonathan Campo/AEN

DEVE PIORAR

No Paraguai, a expectativa das autoridades de saúde é que a situação piore progressivamente nesta mês e em julho, diz o jornal Última Hora.

Os primeiros dias de junho já trouxeram recordes consecutivos de mortes pela doença, lembra o jornal.

O aumento de contágios e mortes, a partir de agora, ocorre “ante a resignação das autoridades pela falta de vacinas, leitos de terapia, profissionais de saúde sobrecarregados e escassez de oxigênio”, destaca o Última Hora.

OCUPAÇÃO DO ESTÁDIO

O jornal ABC Color deu destaque à postagem do paraguaio @josemariopy, que utilizou imagens claras pra mostrar o que representam as mortes por covid no país.

Na primeira postagem, ele escreveu: “Chegamos a 10.005 mortos por covid. Você imagina como se vê 10 mil pessoas? Assim…”
E postou a foto:

Depois, escreveu: “Os 4.049 internados ocupariam cerca de 65% desta arquibancada:”

A postagem teve repercussão. No Twitter, outro paraguaio escreveu: “Qualquer um que foi ao Defensores em uma partida com estádio cheio e vê a saída das torcidas, sente um calafrio terrível com tua comparação”, disse Ariel Carmona.

Aliás, repercutiu tanto que foi parar nas páginas do jornal ABC Color.

CAPACIDADE

O estádio Defensores del Chaco tem capacidade semelhante à do Couto Pereira e do Atlético, em Curitiba (pouco mais de 40 mil pessoas).

Os 27 mil mortos pela covid-19 no Paraná ocupariam grande parte das arquibancadas.

VACINAÇÃO

Embora a passos ainda lentos, é na vacinação que o Paraná está bem à frente do Paraguai.

4.026.686 paranaenses receberam pelo menos uma dose de vacina (35% da população); e 1.247.037 foram imunizados com duas doses (10,8%).

No Paraguai, 327.971 pessoas receberam pelo menos uma dose (4,6%); e 79.683 estão completamente imunizadas (1,1% dos habitantes).

O Paraguai tem um dos piores índices de vacinação do mundo (entrou na lista porque há este recurso para o interessado, no portal do Our World in Data).

NÃO HÁ VACINA

Até agora, o Paraguai recebeu muito poucas vacinas das que adquiriu via mecanismo Covax, da Organização Mundial da Saúde.

E só conseguiu imunizar pelo menos parte dos grupos prioritários, como profissionais de saúde, idosos e pessoas com comorbidades, graças a doações de alguns países.

PAGOU, NÃO LEVOU

Em meados de maio, o jornal La Nación publicou um informe da Comissão Bicameral de Controle de Gastos do Congresso, com os números das vacinas.

O informe detalhou que o Paraguai pagou ao Covax por 7.279.800 doses de vacinas um total de US$ 25 milhões, mas só recebeu 194 mil doses.

As doações de países amigos atingiram 223 mil doses. Depois disso, houve mais algumas doações e a chegada das primeiras doses da vacina russa Sputnik V.

Mas é pouco, infelizmente é muito pouco.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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