Dólar alto não ajuda, mas comércio de Ciudad del Este aposta na Black Friday

Devem participar da promoção, entre 12 e 15 de novembro, cerca de 4 mil lojas de todos os gêneros.

Apoie! Siga-nos no Google News

Devem participar da promoção, entre 12 e 15 de novembro, cerca de 4 mil lojas de todos os gêneros.

Se você está pensando em comprar ou trocar de smartphone, por exemplo, talvez seja melhor arriscar e esperar mais um mês. Entre 12 e 15 de novembro, as lojas de Ciudad del Este retomam a tradicional Black Friday, que em 2020 não aconteceu por causa da pandemia.

O coordenador desta edição da feira de descontos, Kenny Yuen, disse ao jornal La Clave que, em relação à questão sanitária, já não existem riscos, devido ao alcance cada vez maior da vacinação contra a covid-19. E os cuidados sanitários vão persistir, mesmo assim.

A expectativa é que participem mais de 4 mil lojas estabelecidas no microcentro de Ciudad del Este, incluindo as barracas de ambulantes instaladas ao longo das avenidas. Pra ajudar, o feriado de 15 de novembro no Brasil (Proclamação da República) cai numa segunda-feira, este ano.

A Black Friday é hoje a grande esperança do comércio de Ciudad del Este para um aumento das vendas.

“A esperança é a última que morre. O câmbio entre real e dólar é instável e agora não nos favorece, e com isso fica difícil vender. Todos sabemos que quase exclusivamente dependemos dos brasileiros”, disse uma comerciante de uma loja de roupas da Avenida San Blas à reportagem de La Clave.

DÓLAR X REAL

O dólar comercial fechou a segunda-feira (11) a R$ 5,537, a maior cotação desde 20 de abril. De lá para cá, a cotação sofreu quedas em sequência até 24 de junho, quando o dólar valia R$ 4,905. Depois, voltou a tendência de alta.

Como lembra La Clave, a cotação a R$ 5,53 reduz o poder aquisitivo dos brasileiros, que ficam desestimulados a ir às compras em Ciudad del Este. A expectativa é que o real se valorize um pouco, pelo menos, até o período da Black Friday.

Última cotação: US$ 1 = R$ 5,53. Poder aquisitivo do brasileiro despencou. Foto Pixabay

CAUSAS INTERNAS E EXTERNAS

A valorização do dólar, externamente, reflete a alta dos rendimentos dos títulos norte-americanos, segundo disse à agência Reuters Lucas Maia, estrategista de câmbio e juros do BNP Paribas. O Fed não tem mais tanto interesse em vender títulos do Tesouro, o que leva à valorização da moeda do país.

Internamente, a percepção de que o Banco Central está sendo menos rigoroso no controle da crescente inflação, também influenciou na depreciação do real, segundo o site G1.

Outros países já começaram a elevar os custos dos empréstimos, o que reduz a atratividade dos retornos oferecidos no Brasil, quando comparados a outros lugares de risco semelhante. A taxa Selic, em 6,25% ao ano, deve subir para ser mais atraente. Juro mais alto, inflação idem.

São questões que fogem à compreensão do consumidor comum, que só entende a inflação quando vai às compras no mercado e só percebe a desvalorização do real quando quer comprar produtos importados.

Como os preços das mercadorias em Ciudad del Este estão fixados basicamente na moeda norte-americana, a cotação do dólar tem impacto direto nas vendas e na economia da fronteira.

Esta é a importância da Black Friday: oferecer descontos e tentar atrair mais brasileiros.

2019 e 2012

Em 2019, antes da pandemia, a Black Friday teve um faturamento de US$ 300 milhões, lembra La Clave. Mas o melhor ano foi 2012, primeira edição da feira de descontos, quando o comércio de Ciudad del Este arrecadou US$ 380 milhões.

Para a próxima feira, não há sequer uma projeção de quanto será faturado. Mas a intenção é atrairnão só os brasileiros como também paraguaios de outras localidades, que podem aproveitar as promoções para renovar eletrodomésticos, adquirir roupas, celulares e outros objetos.

LEIA TAMBÉM

Comentários estão fechados.