Rio Grande do Sul já tem 11 lojas francas; Paraná continua só com uma, em Foz. Mas isso pode mudar

H2FOZ

A fronteira do Rio Grande do Sul ganha mais uma loja franca, nesta terça-feira, 27. A unidade é da Duty Free Americas (DFA), que já tem uma loja instalada em Foz do Iguaçu, mas aguarda ainda os trâmites para a abertura.

Com essa nova unidade, o Rio Grande do Sul conta com 11 das 12 lojas francas em operação no Brasil, sete delas em Uruguaiana, onde foi inaugurada nesta terça a DFA. Em breve, os gaúchos ainda contarão com mais duas free shops, já com documentação em trâmite, informa reportagem publicada no site do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf).

A 12ª loja franca do Brasil está em Foz do Iguaçu: é a Sky Dutty Free, aberta em maio deste ano. Em trâmite, está a loja da DFA, praticamente concluída desde setembro do ano passado e que já em janeiro conseguiu a habilitação para funcionamento pela Receita Federal. De lá pra cá, não houve mais novidades. Continua fechada.

Mas a expectativa é que tanto a DFA como outras seis free shops entrem em funcionamento até o final de 2020, em Foz do Iguaçu, lembra o Idesf, com base em informações da Prefeitura.

Entre elas, estão a Cell Shop, no Shopping Catuaí, e a Duty Free Liberty, no Shopping JL Cataratas. A Sky Duty Free também teria confirmado novas lojas no município.

“Se o ritmo de implementação das duty frees já era animador, o fechamento das fronteiras desde março, por conta do covid-19, acelerou o interesse dos empresários no investimento”, diz a reportagem do Idesf.

Veja quais são e onde estão as lojas francas:

Turismo promissor

Em Foz, de acordo com o instituto, “o turismo de compras se mostra um dos pilares mais promissores para a retomada do setor turístico, fortemente abalado peloa pandemia”. A favor desse tipo de turismo “está a possibilidade de maior atração e retenção de turistas, trazendo em sua esteira o desenvolvimento de segmentos complementares de comércio e serviços, tais como hotéis, bares e restaurantes”.

Há informações de que outros empreendimentos estão programados para as cidades de Guaíra, Barracão e Santo Antônio do Sudoeste, no Paraná, e Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul são esperados investimentos em Itaqui, Santana do Livramento e São Borja, além de outras duas lojas em Porto Xavier, a primeira delas já com inauguração marcada para 18 de novembro.

O Shopping China, um dos grandes centros de compras de importados nas cidades gêmeas paraguaias de Ciudad del Este e Pedro Juan Caballero, noticiou instalação em Ponta Porã (MS). Outro município sul-mato-grossense com perspectiva de abrigar free shop é Mundo Novo. Além desses, Bonfim (RR) e Guajará-Mirim (RO) estão na mira de investidores do setor.

Um terço das cidades-gêmeas

Mas por que os gaúchos estão tão “firmes na dianteira”, como diz o Idesf. O próprio Idesf diz que essa liderança se justifica, em parte, pelo fato de o Rio Grande do Sul concentrar um terço das cidades-gêmeas brasileiras, ou seja, 11 de um total de 33 reconhecidas pelo Ministério do Desenvolvimento Regional (MDE) por essa característica.

Outro fator é porque o Estado foi um dos primeiros, junto com o Paraná, a decretar isenção do ICMS para as operações nas lojas francas. Mas falta explicar porque o Paraná está tão atrasado, embora isso venha a ser alterado se confirmada a instalação de seis lojas francas até o final do ano.

Concorrência

Para os empresários interessados em instalar lojas francas em Foz, uma das dificuldades é a concorrência com os preços praticados no comércio de fronteira paraguaio e no Duty Free da Argentina.

O empresário Derseu de Paula, um dos grandes incentivadores das lojas francas na região, disse à reportagem do Idesf que os tributos, para os lojistas daqui, chegam a atingir aproximadamente 20% do faturamento, “um custo que o empresário paraguaio não tem e, portanto, não precisa repassar ao preço dos produtos”.

Mas há também vantagens para quem montar a loja franca em Foz, já que a legislação permite a soma de cotas. Aos US$ 500 permitidos para compras no Paraguai, por exemplo, o turista pode somar mais US$ 300 nas compras no lado brasileiro.

Dá para competir

Derseu de Paula explica que, se for bem explorado, esse fator pode ser bem atrativo para consumidores de alto poder aquisitivo, justamente aqueles dispostos a bancar o acesso a produtos de qualidade, com comodidade, conforto e conveniência, conceitos que cabem nos padrões duty free.

“Se tivermos lojas com produtos variados podemos competir, mesmo vendendo um pouco mais caro, porque estaríamos apostando na comodidade que o Paraguai não oferece”, avalia Derseu de Paula, referindo-se a Foz do Iguaçu.

Para o presidente do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras, Luciano Stremel Barros, a proposta das duty frees atende aos anseios das comunidades fronteiriças, uma vez que representa não só a possibilidade de geração de empregos diretos, mas de desenvolvimento econômico e social.

“As lojas francas têm potencial para serem grande alavanca de desenvolvimento das áreas de fronteira. São atividades legais que geram emprego, renda e fomentam as economias formais nas cidades gêmeas do Brasil”, afirma.

Leia a reportagem original no site do Idesf. E conheça como foi a dificuldade para o empresário gaúcho João Correa abrir a primeira free shop do Brasil:

A franca evolução das free shops nas fronteiras brasileiras

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