A imagem do viajante que retira as malas do veículo preso no trânsito e corre a pé ao aeroporto para não perder o voo é emblemática do caos que tomou conta de Foz do Iguaçu no feriado de carnaval. A experiência de visitantes que buscaram a cidade para fugir da folia ou aproveitar seus atrativos incluiu fila, demora, desgaste e risco.
Foz do Iguaçu falhou, e não foi a primeira vez. A pergunta a ser feita aos agentes públicos é se o infortúnio irá repetir-se no feriadão prolongado de Páscoa. Qual é o plano para garantir veículos correntes e mobilidade segura no corredor turístico e nos acessos às pontes que levam aos países vizinhos?
Sofre o visitante, sofre o morador. Bairros ficam ilhados nos períodos de grande movimento, alterando a rotina das pessoas, a exemplo das comunidades próximas à Vila Carimã e Mata Verde. E transpor a BR-277, via que divide a cidade praticamente ao meio, vira exercício não só de paciência, mas de audácia.
Prevendo alta visitação no feriado prolongado, representantes do turismo da cidade pedem um plano de ação. E aponta os pontos críticos, como o acesso ao aeroporto e as proximidades dos atrativos turísticos localizados ao longo da Rodovia das Cataratas, no trecho entre o Dreams Park Show e o Parque Nacional do Iguaçu.
Não é só. O fluxo já após o trevo no sentido à Argentina precisa de ordenamento e segurança, assim como as vias que conduzem às pontes internacionais da Amizade e Tancredo Neves. Ruas e avenidas municipais contíguas às de grande movimento igualmente carecem de orientação e ações para permanecerem liberadas.
Havendo atribuições que devem ser observadas, contudo, é necessário o empenho de todos os entes relacionados à mobilidade urbana e à segurança para atuação conjunta, seja no planejamento e definição, seja na execução. Mesmo porque Foz do Iguaçu sedia um contingente de instituições municipais, estaduais e federais, contando com duas secretarias da prefeitura, todas vinculadas, em maior ou menor grau, à demanda.
Por ser assunto da cidade, determinante para a imagem de anfitriã de Foz do Iguaçu e fator que impacta diretamente a qualidade de vida do morador, cabe às autoridades eleitas pelo voto, para gerir ou fiscalizar a atuação dos gestores, convocar as instituições à mesa, dialogar e planejar estratégias. Trata-se de iniciativa política, antes, de coordenação, para execução das operações técnicas depois.
Plano para o feriado é indispensável como iniciativa de curto prazo. Quanto à lentidão na Rodovia das Cataratas em dias de intenso movimento de visitantes, não podem ser ignoradas soluções mais amplas, o que insere necessariamente na discussão a fluidez e a capacidade do estacionamento do Parque Nacional do Iguaçu. Além disso, nunca é demais que todas as vozes cobrem e sigam postulando a conclusão das obras do caminho que leva às Cataratas do Iguaçu.


