Decreto de quarentena em Ciudad del Este “é letra morta”, diz jornal paraguaio

Não apenas muitas lojas abriram nas cidades de fronteira paraguaia, no sábado, primeiro dia do decreto com novas medidas restritivas, como houve flagrantes desrespeitos a normas sanitárias. O jornal Hoy afirmou que  em Ciudad del Este “decreto é letra morta”.

O correspondente do Grupo Nación, Gustavo Galeano, constatou que havia comerciantes sem máscaras faciais e até proprietários de bancas compartilhando tererê, sem a menor preocupação com o decreto do presidente da República, que não apenas determinava o fechamento dos comércios não essenciais, como preconizava maiores cuidados sanitários para enfrentar a pandemia, que já provocou colapso nos hospitais públicos e particulares.

Muitas pessoas circulavam sem máscaras faciais, como mostrou o repórter Gustavo Galeano/La Nación.
Compartilhamento de tererê, outro “flagra” de Gustavo Galeano.

Lojas de roupas, calçados, equipamentos eletrônicos e de todo tipo de artigos estavam abertas. O movimento nas ruas e nas lojas era quase normal, em Ciudad del Este.

Grandes lojas, as mais procuradas por compristas brasileiros, estavam funcionando, como Cell Shop, Macedonia, Casa China, Atacado Collections, Shopping París, Shopping del Este e outros. Os vendedores de rua também estavam na ativa. O correspondente do La Nación calcula que 60% dos negócios estavam abertos.

A desobediência ao decreto teve origem numa reunião da Câmara de Comércio e Serviços de Ciudad del Este com o prefeito Miguel Prieto, na sexta-feira, 26. O prefeito disse que não seriam aplicadas sanções às lojas que abrissem, desde que fossem cumpridos os protocolos sanitários.

As lojas que não abriram foi simplesmente porque os proprietários entenderam que não se justificaria devido à pouca quantidade de compradores que iriam a Ciudad del Este, porque o anúncio das restrições afugentou turistas.

É muito provável – quase certo – que todo o comércio funcione normalmente a partir de segunda-feira, 29, embora as restrições estejam valendo até o próximo domingo, 4.

VIAGENS

Assim como houve desrespeito ao decreto com novas restrições nas cidades de fronteira, isso também aconteceu em vários pontos do país. Milhares de moradores de Assunção, por exemplo, fizeram o que o governo queria impedir: viajaram a cidades do interior. Como Assunção é o epicentro de casos, o medo é que a transmissão se espalha pelo país.

A proibição de viajar vigorava a partir da zero hora de sábado, 27, mas os viajantes se anteciparam e saíram um ou dois dias antes.

CASOS E MORTES

Em números, o jornal La Nación mostra que morreram mais jovens que em outros meses, por exemplo, e que há uma morte a cada meia hora, no país, por covid-19.

Enquanto isso, mais 45 pessoas morreram no Paraguai, por covid-19, e agora o país já tem 4.003 óbitos pela doença. Os casos registrados subiram para 206.597, com os 1.893 das últimas 24 horas até sábado.

Março, até dia 27, já responde por quase 23% dos casos acumulados desde o início da pandemia, há um ano; e também por 20,53% do total de vítimas fatais, contabiliza o jornal La Nación.

Entre 20 e 27 de março, houve 341 óbitos, o que equivale a uma morte a cada meia hora, assim como 16.098 positivos, que representam um novo contágio a cada 37 segundos.

E março bateu todos os recordes desde março do ano passado mês: 2.170 pessoas internadas (dia 27), 427 em UTI (dia 23), 2.688 positivos (dia 24) e 51 óbitos (24 de março).

Os três primeiros meses de 2021 registraram 1.471 óbitos, 43% do total geral registrado até sábado, 27.

Outros números preocupantes: em março deste ano, duplicaram as mortes de pessoas jovens. Até o sábado, morreram 45 pessoas entre 20 e 39 anos; 201 entre 40 e 59 anos; e 575 de t0 anos ou mais.

Na faixa entre 20 e 39 anos, março teve mais que o dobro de mortes de janeiro e fevereiro, que na soma chegaram a 41.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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