E a fronteira argentina, quando vai reabrir? Faça seu palpite, mas aposte baixo

Até quando continuará este cenário lúgubre? Pode demorar bastante. Foto DNIT

Quase que a gente até esquece que, nos primeiros três meses de 2020, ainda era possível ir a Puerto Iguazú, na Argentina, para jantar, comprar vinho e azeitona. E até abastecer o carro, quando a gasolina lá estava mais barata que aqui (parece que agora há um cruel empate). Além, claro, de acompanhar parentes e amigos de fora numa visita ao lado argentino das Cataratas, que é também imperdível para quem gosta de paisagens fantásticas.

O governo argentino foi protelando a reabertura e o governo da província de Misiones não tem nenhum interesse que isso aconteça, principalmente porque o fechamento da fronteira com o Paraguai fez com que a arrecadação aumentasse muito desde então. Os argentinos da capital da província, Posadas, e também de outras regiões, que iam em massa à cidade paraguaia de Encarnación para fazer compras, agora adquirem tudo só no mercado local. E o governo ganha com isso.

Em relação às fronteiras, um decreto do presidente Alberto Fernández já prorrogou as medidas restritivas até 30 de abril, devido à segunda onda de covid-19 que o país enfrenta.

E ele avisou, quando da publicação do decreto, na semana passada: “Quanto mais alta seja a transmissão (do vírus), mais medidas adotaremos”.

Além de as fronteiras permanecerem fechadas, as medidas incluem horário restrito para circulação de pessoas, entre meia-noite e 6h, fechamento de bingos, cassinos e discotecas, enquanto cinemas e teatros poderão funcionar, mas com público reduzido.

Estão proibidas as competições esportivas amadoras e o transporte público só poderá ser utilizado por trabalhadores de serviços essenciais.

O presidente Alberto Fernández também está com covid-19. Mas, segundo seus médicos, sem sintomas da doença. Foto Agência Télam

Enfim, tudo o que a gente já viveu e conhece. Funciona? Os números indicam que sim. Claro que a economia argentina está destroçada, principalmente nos setores de comércio e serviços. Aumentou o desemprego, a pobreza, a miséria. E a inflação é ainda um mal que o país não venceu, embora bem mais antigo que a pandemia. Espera-se que o índice de março fique em 4%, mais ou menos a inflação de um ano inteiro no Brasil.

RANKING MUNDIAL

Mas, no ranking mundial de covid-19, de acordo com o painel da universidade Johns Hopkins, a Argentina desceu vários postos desde fevereiro, suplantada, em casos, pela Turquia e Polônia.  Está agora em 13º no ranking (o Brasil está em 2º, depois de superar a Índia, em março).

Em mortes, a Argentina caiu para o 14º lugar, superada pela Polônia, Colômbia e Irã. A Polônia apareceu rapidamente no ranking mundial, depois de um crescimento de casos e mortes muito elevado. A Polônia tem hoje o índice de 1.537 mortes a cada 1 milhão de habitantes, enquanto na Argentina é de 1.281 mortes por 1 milhão.

No começo deste ano, o indicador da Argentina superava o brasileiro. Depois da explosão de casos registrada em março e nestes dias de abril, o Brasil está com o índice de 1.657 mortes a cada 1 milhão de brasileiros. No ranking de mortes, está atrás apenas dos Estados Unidos.

Em 1º lugar absoluto, tanto em casos como em mortes, os Estados Unidos também têm um índice ainda maior que o Brasil, em óbitos proporcionais à população: são 1.711 mortes a cada 1 milhão de habitantes.

SEGUNDA ONDA

A preocupação do governo argentino é com o aumento de casos, que na semana passada, em relação à anterior, foi 36% maior, em todo o país, e 53% maior na área metropolitana de Buenos Aires (AMBA).

Se mesmo com restrições houve relaxamento social, como disse o presidente Fernández, o que dizer da possibilidade de o governo permitir a reabertura de fronteiras, especialmente com o Brasil, onde há recordes sucessivos de mortes diárias? Seria pedir demais.

O presidente argentino, quando anunciou as medidas restritivas, destacou que a segunda onda no país pode durar alguns meses, como aconteceu “nos países europeus e nos países da nossa região”, segundo o jornal La Prensa.

Gráfico publicado na Deutsche Welle e republicado no jornal paraguaio ABC Color mostra como está a vacinação no mundo. Os países mais pobres do mundo só deverão vacinar suas populações até o final de 2023.

Um estudo feito pela The Economis Intelligence, publicado pelo portal alemão Deutsche Welle, revela que o Brasil e a Argentina estão no grupo de países em que a cobertura total de vacinação se dará até meados deste ano, situação até melhor que a de alguns países europeus, onde a imunização se completará até o final de 2020.

E a rede de notícias CNN, por sua vez, conta que o Brasil é o 5º país que mais aplicou vacinas contra a covid-19, quando comparado com os outros países que integram o grupo das 20 maiores economias do mundo. Com 29,5 milhões de vacinas aplicadas até sábado, 10, o Brasil ficou atrás apenas dos Estados Unidos, China, Índia e Reino Unido, em números absolutos.

Já na comparação por números relativos à população, considerando apenas o G20, o País está em 9º lugar na lista, com 13,98 doses a cada 100 habitantes.

Mesmo em doses proporcionais à população, o Brasil não está tão mal, dentro do G20 (mas sem a inclusão da União Europeia). Reprodução CNN

A CNN destaca que, à frente do Brasil, estão Reino Unido, Estados Unidos, Turquia, Alemanha, Itália, França, Canadá e Arábia Saudita.

Mas a taxa brasileira é superior à de países como China, Rússia, Argentina, México e Austrália. O ranking não conta os dados da União Europeia, grupo de países que representa o 20º integrante do G20, explica a CNN.

No ranking global, o país também está em 5º lugar, em números absolutos de doses. Mas cai para o 56º lugar em números relativos, atrás de países menos populosos como Israel, Seychelles, Bahrein e o vizinho Chile.

PRA RESUMIR

Não espere que a fronteira da Argentina reabra tão cedo. Neste primeiro semestre, dá para apostar 100% como isso não vai acontecer.

O país está no mesmo ritmo – ou até um pouco mais atrasado – que o Brasil na vacinação contra a covid-19. E a imunização da população já foi considerada pelo governo argentino como vital para que se restabeleçam os contatos diretos com os países vizinhos.

Isto é, Brasil e Paraguai, já que o Chile, embora atravesse no momento um incremento de casos, dentro de pouco tempo terá vacinado toda sua população. O índice de chilenos que já recebeu pelo menos uma dose é de mais de 60%. E um quarto da população já está totalmente imunizada, com duas doses.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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