Libanês extraditado do Brasil em 2020 fica preso no Paraguai 9 meses e é expulso de volta ao Brasil

Barakat assina o documento de expulsão do Paraguai, para onde não poderá mais voltar. Foto Ministério Público do Paraguai

O libanês naturalizado brasileiro Assad Ahmad Barakat, de Foz do Iguaçu, foi expulso nesta sexta-feira, 9, pelo Paraguai, depois de cumprir nove meses de prisão, por produção e uso de documentos públicos de conteúdo falso. A pedido do governo paraguaio, ele havia sido extraditado do Brasil em julho do ano passado.

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A saída dele do Paraguai – para onde não poderá mais voltar – foi pela Ponte da Amizade, onde foi entregue pelas autoridades paraguaias à Polícia Federal. Anteriormente, Barakat já havia cumprido pena de mais de seis anos no Paraguai por evasão de divisas.

Exatamente por esse delito, do qual foi acusado e cumpriu pena, Barakat perdeu a naturalização paraguaia em 2007, por decisão da Corte Suprema de Justiça. Mesmo assim, ele obteve um passaporte paraguaio.

De acordo com as investigações, Barakat e sua família lavaram mais de US$ 10 milhões em cassinos da Argentina. O clã Barakat é acusado, ainda, de contribuir para o grupo Hezbolá, que o governo dos Estados Unidos e de outros países condenam porque a parte radical do grupo seria responsável por ataques terroristas.

EXTRADIÇÃO

Assis Ahmad Barakat foi preso em 2018, em Foz do Iguaçu, pelo crime de falsidade ideológica decretado pela Justiça paraguaia. Ele permaneceu detido no Brasil até que saiu a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a extradição. Em julho de 2020, a Polícia Federal entregou-o às autoridades paraguaias.

Como ele admitiu os delitos de que era acusado, e já havia cumprido boa parte da pena, ficou preso no Paraguai por nove meses, até ser “devolvido” ao Brasil.

Na ocasião de sua prisão no Brasil, no ano passado, diz matéria da época publicada pela Agência Brasil, a Polícia Federal informou que a Unidade de Informação Financeira da Argentina acusava membros do clã Barakat de lavagem de dinheiro em cassinos de Puerto Iguazú.

O governo argentino bloqueou bens patrimoniais da família, por lavagem de dinheiro e por suposta ligação com o financiamento ao terrorismo.

À época, o então advogado dele, Jaimir Reinaldo Rezner, explicou que o pedido de extradição feito pelo Paraguai não tinha relação com as demais suspeitas.

“Esta acusação de possíveis ligações com o Hezbollah é de um outro processo que ele já respondeu e pelo qual ficou sete anos detido. Não há, atualmente, nenhuma acusação contra ele em relação a suspeitas de ligações terroristas“, disse Rezner, acrescentando que seu cliente é naturalizado brasileiro, tem família e mora no país há cerca de 30 anos – fato que o próprio advogado reconhece que o STF decidiu não ser um impeditivo para a extradição, dizia a matéria da Agência Brasil.

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