Máfia italiana, associada ao PCC, age no Brasil, Paraguai e vizinhos

A poderosa máfia italiana ‘Ndrangheta já estendeu seus tentáculos sobre o Paraguai.

O objetivo é ganhar (muito) dinheiro com o tráfico de drogas.

E, para isso, se associou com o grupo criminoso Primeiro Comando da Capital, o PCC, que age no Brasil e nos países vizinhos.

A presença da ‘Ndrangheta no país deixa as autoridades paraguaias em alerta máximo, informa o jornal Última Hora.

Mas não chega a ser uma surpresa para quem lida com o tráfico de drogas.

VÍNCULOS COM A REGIÃO

Segundo a secretária nacional Antidrogas do Paraguai, ministra Zully Rolón, “não é novidade que este grupo da máfia tenha vínculos com o país e a região”.

Estima-se que a ‘Ndrangheta controle 80% dos envios de cocaína que chegam à Europa, a partir de países da América do Sul, lembra a ministra.

A ministra diz que “os brokers (intermediários) da máfia são tão poderosos que tratam diretamente com o PCC”.

DOS PRODUTORES AOS “EXPORTADORES”

Essa parceria começa nos países que produzem cocaína (Colômbia, Peru e Bolívia) e as rotas de saída, que incluem o Paraguai e o Brasil.

Dos países produtores, a cocaína chega ao Paraguai por via aérea, já que o país não tem radares para controlar os voos clandestinos.

Do Paraguai, a droga sai em contêineres até os portos no Brasil, Montevidéu e Buenos Aires. E, dali, segue em grandes navios para a Europa.

APREENSÕES NA EUROPA

Em janeiro deste ano, a polícia espanhola desarticulou uma organização que introduzia grandes quantidades de cocaína no país, procedentes do Paraguai.

O “disfarce” eram contêineres de carvão vegetal, importado por uma empresa espanhola. A polícia apreendeu 2.065 quilos da droga.

Em fevereiro, a Alemanha apreendeu mais de 16 toneladas de cocaína procedentes do Paraguai.

No próprio Paraguai, em outubro do ano passado, a Polícia Nacional havia apreendido 2.906 quilos de cocaína em contêineres no porto privado Terport, em Villeta, próximo de Assunção.

MAFIOSO NO BRASIL

Rocco Morabito, um poderoso chefão, em foto divulgada pela polícia italiana.

Em maio deste ano, foi preso no Brasil um dos maiores chefões da ‘Ndrangheta.

Rocco Morabito, o “rei da cocaína de Milão” foi preso em João Pessoa (PB) junto com um comparsa, Vincenzo Pasquino.

Ambos negociavam o aluguel de imóveis na cidade.

A operação para prender Morabito envolveu a Polícia Federal, a Abin, o DEA e o FBI, dos Estados Unidos, além da Interpol e da italiana Carabinieri.

O mafioso fugia da Justiça, depois de quatro condenações por tráfico internacional de drogas e envolvimento com organização criminosa.

Estava na América do Sul desde 2019. Primeiro, passou pelo Uruguai.

TENTÁCULOS EM 30 PAÍSES

Segundo noticiou a revista Veja à época, a ‘Ndrangheta já é mais poderosa e influente que a siciliana Cosa Nostra e a napolitana Camorra.

A organização atua em 30 países, controla 40% do mercado global de cocaína e movimenta 50 bilhões de euros por ano.

Uma quantia impressionante: R$ 293 bilhões, muito mais do que faturam grandes empresas mundiais.

Antes de ser preso, Morabito passou pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo.

Passagens que indicam possíveis encontros com membros graduados do PCC para negociar remessas de cocaína à Europa e à África.

CONEXÃO PARAGUAIA

O jornal Última Hora tem uma informação que não teve muito destaque na imprensa brasileira.

Quando foi preso, uma das pessoas que estavam com Morabito tinha em seu poder uma carteira de motorista expedida aparentemente por um município de Alto Paraná, Paraguai.

“Isto confirma que em algum momento (Morabito) esteve em nosso país”, destacou César Silguero, chefe do Departamento Contra o Crime Organizado da Polícia Nacional paraguaia.

A BBC de Londres qualifica a presença de ‘Ndrangheta na região como “rota Narcosul” da organização criminosa.

Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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