Oito dias depois do sequestro de ex-vice-presidente do Paraguai, guerrilheiros não se pronunciam

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

A alta comissária da Organização das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, lamentou o sequestro do ex-vice-presidente do Paraguai Óscar Denis, que completa oito dias nesta quinta-feira, 17, e disse que espera uma resolução pacífica, segundo a Agência IP.

Desde as exigências feitas à família do ex-vice-presidente e ao governo, para libertá-lo, o Exército do Povo Paraguaio (EPP) não mais se manifestou. Na segunda-feira (14), os sequestradores soltaram o empregado do senador, que também tinha sido sequestrado.

Adelio Mendoza, indígena que acompanhava Denis numa tarefa na fazenda, foi levado junto com o alvo do sequestro e libertado cinco dias depois, com sinais de cansaço, fome e muito medo.

O ministro do Interior do Paraguai, Euclides Acevedo, segundo o jornal Última Hora, disse que Adelio não trouxe nenhum comunicado ou mensagem da parte dos sequestradores. Mas contou que, embora ambos estivessem de olhos vendados, foi colocado próximo ao ex-vice-presidente, com quem vez por outra trocava algumas palavras.

Cumprida a exigência

A família de Óscar Deniz reza e faz apelo aos sequestradores. Foto Justiniano Riveros, jornal Última Hora

A família de Óscar Denis pediu aos sequestradores que o libertem, informa o jornal Última Hora, já que cumpriu com tudo o que eles haviam pedido: distribuição de US$ 2 milhões em mantimentos a 40 comunidades. Cada qual teria que receber o equivalente a US$ 50 mil.

A filha de Denis, Beatriz, disse que, para fazer a distribuição, contaram com a ajuda da comunidade e de provedores. Várias comunidades indígenas se recusaram a receber os mantimentos, com o que era preciso buscar outras que aceitassem, conforme a imposição do EPP.

Libertação não foi atendida

Em foto de família, Adelio com o ex-vice-presidente, quando o orgulhoso empregado conquistou um diploma.

Os sequestradores tinham ainda outra imposição, a de que fossem libertados os líderes do EPP, Carmen Villalba e Alcides Oviedo. O prazo dado pelos guerrilheiros venceu às 22h do domingo, 13, mas o governo não atendeu a exigência, porque a libertação fere a Constituição do país.

Em poder do grupo armado, além do senador, está também o sub-oficial Edelio Morínigo, sequestrado há mais de 6 anos. A família dele clama por alguma informação para saber se ainda está vivo ou, pelo menos, que seja informada a localização de seu corpo, se foi assassinado.

É praticamente certo que Edelio foi morto por seus sequestradores, mas nem isso eles informam à família.

 

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