Pandemia faz importadores brasileiros trocarem a China pelo Paraguai

Beneficiados pela Lei Maquila, que isenta de impostos produtos de exportação que tenham ao menos 40% do valor agregado no Paraguai, os fabricantes que têm unidades no país vizinho são agora beneficiados por uma maior procura por parte de importadores brasileiros.

As barreiras sanitárias e as restrições no transporte aéreo e marítimo fizeram os custos do frete da China ao Brasil dispararem em 2020, o que se refletiu nos preços.

E este é um dos motivos de os olhos empresariais brasileiros se voltarem para o Paraguai, onde o custo final dos produtos é mais baixo, o tempo de entrega é menor e o transporte também tem custo menor.

O portal Eurio entrevistou a empresa Matrix Importações, há 20 anos no mercado. Ela concentrava 60% de seus pedidos em fornecedores da China. Com a pandemia, migrou seus pedidos para o Paraguai, e hoje opera com 80% de importações do país vizinhos.

“Trazemos 20 mil carretas por mês, com um total de 140 mil tapetes, 400 milcobertas e 200 mil jogos de lençóis, que são finalizados no Paraguai, beneficiados pela Lei Maquila”, disse um dos diretores da Matriz, Leonardo Martins de Almeida.

Ele disse que o frete terrestre vindo do Paraguai é muito mais vantajoso e que ainda há a perspectiva promissora da segunda ponte sobre o Rio Paraná, a Ponte da Integração, entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco.

MAQUILA JÁ RESPONDE POR 20% DO PIB

A indústria maquiladora de autopeças é a que rende mais divisas e gera mais empregos. Foto Agência IP

A agência de notícias IP, do governo paraguaio, informou que a indústria de maquila já responde por 20% do Produto Interno Bruto do país. Há 10 anos, equivalia à metade disso.

“Duplicamos nossa produção industrial e, se olhamos através da composição das indústrias, a maioria delas são micro, pequenas e médias empresas”, disse o vice-ministro de Comércio e Serviços, Pedro Mancuello.

Só as empresas maquiladoras de autopeças empregam mais de 1.300 pessoas por unidade produtiva, e se posicionam no país com as exportações de maior valor agregado. Em alguns casos, contou, essas empresas procuram contratar mães solteiras, por considerá-las pessoas comprometidas e honestas.

Mesmo assim, ele considerou que é preciso tornar as indústrias ainda mais competitivas. No Paraguai, um empresário industrial, de comércio ou serviços, precisa que as gestões para habilitar uma empresa sejam mais ágeis, assim como os processos de registros”, exemplificou.

Outro ponto em que o país deve atuar é garantir aos investidores segurança no fornecimento de energia elétrica, para que não haja queda de tensão ou cortes no atendimento.

Expectativa é que este ano as exportações cresçam entre 10% e 20%. Foto Agência IP

Em outra matéria, a agência IP informou que, no ano passado, a indústria maquiladora paraguaia exportou mais de US$ 672 milhões, mesmo com o impacto da pandemia e da paralisação das atividades econômicas por longo período.

A expectativa para 2021 é de crescimento entre 10% e 15% do total exportado no ano passado, segundo previsão do Conselho Nacional da Indústria Maquiladora de Exportação.

Este ano, também, novas empresas vão iniciar operações, principalmente nas áreas de plásticos, confecções e metalurgia, o que deve ampliar as operações do setor.

Um adendo: é interessante lembrar que sete em cada 10 fábricas que vinham se instalando no Paraguai, até 2019, eram filiais de empresas brasileiras ou indústrias brasileiras que migraram com tudo para lá.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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