Aida Franco de Lima – OPINIÃO
O caso da liquidação do Banco Master, e posterior liquidação também do Will Bank, uma empresa digital com amplo foco nas classes C, D e E, deveria ganhar visibilidade tanto quanto ou mais que a Operação Lava Jato. Também está ligado a empréstimos consignados a aposentados e pensionista. Este assunto era para estar na boca do povo 24 horas por dia e ter inclusive uma apresentação em Power Point para facilitar a compreensão. Mas por tratar-se de um assunto relativamente técnico, restringe-se mais às páginas de economia, por enquanto, pois está coladinho com a política. Daniel Vorcaro, dono do banco, teria se blindado através de contratos com nomes importantes do cenário político.
Não bastasse isso, o ministro do STF Dias Toffoli ordenou o sigilo do processo. Segundo ele, para proteger as investigações… O caso foi parar no STF porque teria o envolvimento do deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que possui foro especial. Seu envolvimento seria em torno de um contrato imobiliário. Somente nessa quinta (29) foi retirado sigilo de depoimentos e de acareações, ocorridos em dezembro de 2025, sobre o caso, do banqueiro Daniel Vorcaro, do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Barbosa e do diretor do Banco Central Ailton Aquino.
“Tenho alguns amigos de todos os Poderes”, respondeu Vorcaro, quando interrogado a respeito de nomes de quem frequentava sua casa. Disse tranquilamente que ele e o governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB), frequentavam a casa um do outro.
O caso nasceu para a mídia no dia 28 de março de 2025, quando o BRB anunciou que compraria o Banco Master. Como se fosse uma prefeitura divulgando a aquisição de uma rede de panificadoras. Entre junho e agosto, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e a Câmara Legislativa de Brasília aprovaram a compra.
- Mas em setembro o caldo começou a entornar, pois o Banco Central proibiu o negócio entendendo que se tratava de um esquema fraudulento. Um banco público comprando uma massa falida, como se aquela prefeitura lá de cima estivesse adquirindo uma rede de panificadoras fictícia, que só existiria no papel. E no dia 17 de novembro a casa caiu para o dono do Master. Vorcaro foi preso enquanto se preparava para viajar com seu jatinho, no Aeroporto de Guarulhos, para Dubai. No dia seguinte, o Banco Central decretou que a panificadora, ou melhor, o banco estava liquidado.
A coisa passou a ficar mais nebulosa, pois no dia 28 daquele mês a defesa de Vorcaro pediu para que o caso fosse ao Supremo. Em sorteio, caiu no colo do ministro Dias Toffoli, o qual, no dia seguinte, pegou carona no jatinho em que viajava o advogado do diretor de Compliance do Banco Master, Augusto Arruda Botelho, e outros palmeirenses. Eles foram assistir à final da Libertadores em Lima, Peru. A disputa era entre Flamengo e Palmeiras, a qual o Porco perdeu por 1 a 0. Segundo eles, a viagem se resumiu a um grupo de amigos que foi ver seu time perder — ou melhor, jogar. Nada mais. No dia 29, Vorcaro foi solto, sob a condição de usar tornozeleira eletrônica. No seu depoimento, alegou que, se realmente tivesse amizade com políticos, não estaria usando o acessório.
O caso passou a ser sigiloso, e o ministro Tofolli determinou que as investigações da Polícia Federal passassem todas por suas mãos, ou seja, pelo STF. No dia 11 de dezembro, veio a notícia de que a esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Marci de Moraes, tinha contrato para, ao final de três anos, se integralmente cumprido, receber mais de R$ 131 milhões.
O Banco Central começou a ser questionado após informações de que havia ocorrido uma reunião entre o seu presidente, Gabriel Galípolo, e Alexandre de Moraes. Ambos alegaram que a conversa foi sobre a Lei Magnitsky e sanções financeiras contra Moraes e sua esposa. O burburinho foi grande, e entidades financeiras lançaram nota em apoio ao Banco Central pois este começou a ser alvo inclusive de influenciadores que, descobriu-se posteriormente, foram pagos para atacarem o Master? Não, o banco Central! É como se em vez de investigar o criminoso, a vítima fosse o alvo das buscas.
Tofolli determinou que todo o material apreendido pela Polícia Federal, antes mesmo da perícia, fosse enviado e armazenado na sede do STF, em vez de ficar sob a custódia da PF. Depois voltou atrás. As desconfianças de que o STF esteja protegendo o Master já faz com que em Brasília, o tema seja chamado de Caso Tofolli, tamanho o envolvimento de seus familiares envolvidos nos negócios de Vorcaro. Tofolli e a Polícia Federal andaram se estranhando como se um fosse puxar o tapete do outro.
Foram emitidos 42 mandados de busca, além do sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, segundo a PF. Ainda de acordo com a polícia, foram apreendidos 39 celulares, 31 computadores e 30 armas, bem como R$ 645 mil em espécie. Também foram apreendidos carros de luxo e relógios importados, sendo um total de 23 veículos, avaliados em R$ 16 milhões.
Quanto mais se mexe na massa podre do Banco Master, mais ela cresce. Estão em curso investigações da PF sobre aplicações de cerca de R$ 1 bilhão do fundo de pensão dos servidores do Rio de Janeiro no Banco Master.
Isso tudo não é só uma parte do que vem à tona acerca do caso. O que se sabe é que nos celulares apreendidos há listas de contatos que têm deixado o mundo político com crise de ansiedade, a qual nem Rivotril alivia.
A conta é de um banco privado, cujos responsáveis se apossaram do lucro e agora dividem as dívidas com o lado mais fraco do balcão… E quanto menos as pessoas entenderem e discutirem a gravidade do caso, melhor. Quanto mais sigilo, melhor. Mas para quem?
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