Aida Franco de Lima – OPINIÃO
Os apoiadores do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro o chamam de “Mito”, e muita gente imagina que isso tem a ver com algo mitológico, único. Sobre aquele tipo de figura fantástica. Em 2024, lançaram até um perfume com o mesmo nome.
Mas para a desilusão de sua massa de apoiadores, a origem não é nada mitológica. É fruto do escárnio, quem sabe do bullying que Bolsonaro recebeu dos “colegas” de escola. Bolsonaro, que sempre disse que tinha histórico de atleta, admitiu em entrevista que “Mito” é o diminutivo de palmito ou “parmito”, por conta do sotaque do interior paulista e uma mescla com o fato de ele ser torcedor do Palmeiras ou “Parmeiras”. Isso em razão de suas canelas compridas, finas e brancas. Em vez de chamá-lo de “Palmito”, reduziram para “Mito”. Simples assim.
Bolsonaro hoje é um ex-presidente aprisionado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, inelegível. Ele migrou da prisão domiciliar para a sede da PF porque seu filho Flávio Bolsonaro convocou uma vigília para seu pai, programada para o dia 22, sábado, 19 horas, nas imediações da residência de Bolsonaro. Porém, o “Mito” resolveu mexer na tornozeleira, com um cabo de solda, tentando derretê-la, nas primeiras horas daquele mesmo sábado. E foi assim que, ao amanhecer, perdeu sua prisão domiciliar, sendo conduzido à sede da PF. Lá, sim, a tornozeleira foi retirada.
Mas voltando ao apelido “Mito”, o que se nota é uma boa estratégica de marketing em transformar o que seria algo jocoso em espetacular. Bolsonaro manipula completamente seus 13% de eleitores, que o chamam de “Mito” e ainda o consideram um ser mitológico.
- O “Mito” hoje está em uma cela de 12 metros quadrados, com direito a banheiro privativo, cama, ar-condicionado, mesa para trabalho (sic). As regalias, em relação aos demais presidiários, são uma espécie de Airbnb social, custeado pelos nossos impostos. Tem até direito a banho de sol, para dar cor às suas canelas brancas como o leite que ele tomava em suas lives, fazendo menções ao nazismo.
A família e os apoiadores dizem que é desumano ele estar preso em ambiente tão hostil, que lhe dispõe inclusive de médico 24 horas. A condenação é de 27 anos e alguns meses. Mas é claro que isso é só no papel. Na vida real, estará fora das grades muito antes. Há até quem sonhe com o “Mito” disputando as eleições de 2026.
“Mito”, ou melhor, Bolsonaro, faz seus seguidores acreditarem que estamos mesmo em uma ditadura e que ele é uma vítima de tal sistema. Logo ele, fiel defensor da ditadura, que idolatra o coronel Brilhante Ustra, que torturava mulheres nos anos em que a democracia foi enterrada, colocando ratos e baratas em suas partes íntimas. Tortura nas partes íntimas dos outros é refresco, tá ok?
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