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Negacionistas trazem de volta doenças já combatidas

A vacina contra a poliomielite, que previne a paralisia infantil, é destinada a menores de 5 anos.

4 min de leitura
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Negacionistas trazem de volta doenças já combatidas
Início da década de 70. Andrea Silva Caselli, foi diagnosticada com paralisia infantil aos 10 meses de vida. Foto: Divulgação

Aida Franco de Lima – OPINIÃO

A mulher de César não basta ser honesta. Tem de parecer honesta. A frase é atribuída ao imperador César, do século 62 A.C. E, migrando para nosso mundo atual, parafraseando-a, dirigida a um percentual de nossa sociedade, ao negacionista não basta parecer ignorante, tem de militar pela ignorância.

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Na década de 1970, o sarampo, a varíola e a poliomielite ameaçavam as crianças e, quando não tiravam vidas, deixavam suas marcas. Crianças que cresceram sem nunca correr pelas ruas ou subir em árvores, porque a cadeira de rodas ou muletas as impediam.

De acordo com a Universidade Federal de Santa Maria, a poliomielite foi erradicada do território nacional em 1994. Porém, o país tem alto risco de reintrodução da doença.

Segundo a Fiocruz, na América Latina, as campanhas de erradicação ocorreram nos dois países que ainda registravam casos da doença: Argentina e Brasil. Como a varíola ainda era endêmica no Brasil, o governo brasileiro investiu na vacinação em massa, na organização de uma rede de vigilância epidemiológica e na criação de laboratórios de referência para apoiar o programa de combate. O somatório desses esforços possibilitou, em 1972, a erradicação da doença no continente americano.

Nos anos 1980 e 1990, as escolas se empenhavam em estimular a vacinação, e as filas se formavam. Os pais eram incentivados a imunizar seus filhos, e todos corriam para a vacinação. Uma geração inteira tem na memória o medo do “revólver de pressão” e uma marca no braço, normalmente o direito.

Lentamente, essas e outras doenças combatidas com vacinas foram erradicadas. Porém, de uns anos para cá, principalmente com a conexão generalizada, em que informações deturpadas repercutem mais que algo verdadeiro pela internet, as coisas passaram a se complicar.

Apesar das evidências que comprovam a eficácia das vacinas, o que antes era um discurso de pequenos grupos ao redor do mundo, que preferiam uma vida distante de produtos industrializados e sem consumismo, passou a fazer parte da agenda de quem não se importa com agrotóxico, mas questiona a vacina.

Os negacionistas chegaram para ficar – e já há resultados. No ano de 2016, o Brasil havia conquistado o certificado de eliminação da doença. Porém, em 2019 perdeu esse reconhecimento, pois estava com 81,5% de cobertura vacinal. Mas em 2022 esse índice foi de 53%. Em apenas dez anos, a cobertura vacinal da poliomielite foi de 96,5% em 2012 para 77% em 2022, uma queda de aproximadamente 20%.

O movimento, que cresceu lá fora, ramificou-se no Brasil. Famílias que foram vacinadas a vida inteira agora deixam no fundo de alguma gaveta as carteirinhas das novas gerações. A justificativa é sempre a falta de comprovação dos benefícios da vacina. E diante de qualquer problema de saúde que acometa alguém, já se relaciona à vacinação.

Contudo, não há o mesmo questionamento em relação ao uso de agrotóxicos até mesmo para eliminar o mato da beira da calçada. Não vejo o negacionista, que parece tão preocupado com a saúde, defendendo a preservação das fontes de água, por exemplo.

Ignorância e oportunismo andam de mãos dadas. E para combater esse mal, a vacina mais eficaz é a informação com qualidade.

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

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    Aida Franco de Lima

    Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente.

    2 comentários em “Negacionistas trazem de volta doenças já combatidas”

    1. Wesley Yarley

      […] Ignorância e oportunismo é falar sobre negacionismo na cidade em que o presidente negacionista ganhou com 70% de votos.

    2. Dalton Catunda Rocha

      Sobre o nível intelectual de um antivacinista, veja, este vídeo de 9 segundos: “É muito melhor Lula solto” : ( https://www.youtube.com/watch?v=tVJRdauCVfU )
      *****
      Tendo morrido pela covid, o antivacinista e astrólogo Olavo de Carvalho (1947- 2022) foi, uma das principais fontes da fé demente de Jair Bolsonaro, na cloroquina, como forma de cura infalível da covid.

      Para ver um vídeo feito, no começo de 2020, aonde o finado antivacinista e astrólogo Olavo de Carvalho (1947 – 2022) proclamou publicamente que, a hidroxicloroquina era, a cura infalível da covid, basta assistir a partir de 55 segundos deste vídeo:
      https://www.facebook.com/rodrigo.c.diniz.9/videos/10217041720979622

      Dúzias de pastores, Jair Bolsonaro e o Jejum Nacional de Oração de 2020 estão, neste vídeo: ( https://www.youtube.com/watch?v=MV7vR1ZX19Q )

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