Aida Franco de Lima – OPINIÃO
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli está no olho do furacão no caso do Banco Master. Até como já foi dito aqui, em Brasília, em vez de caso Master, é dito “caso Toffoli”. O ministro, até dia 12 de fevereiro, era o relator do caso. Com tanta pressão, largou a relatoria, que agora está com o ministro André Mendonça.
Ocorre que somente agora Toffoli admitiu que era sócio da empresa Maridt Participações S.A., criada em 2020, tendo como sócios dois irmãos do ministro, com capital inicial de R$150. O nome da empresa é a junção do nome da cidade-sede, Marília, e as iniciais de Dias Toffoli. A Maridt vendeu parte de sua participação no resort Tayayá, situado em Ribeirão Claro, no Paraná, em 2025, a um fundo ligado ao Banco Master. Ou seja, mesmo que indiretamente, até o momento, com as informações trazidas a público, o investigador recebeu dinheiro do investigado.
- A imprensa foi até a casa daqueles que seriam sócios da empresa, os irmãos de Toffoli. Casa simples, nada a ver com ex-sócio de resort de luxo. Outro irmão envolvido, José Carlos Dias Toffoli, era cônego da Igreja Católica na cidade natal da família, Marília. Seus votos de pobreza não condiziam com a sociedade. Assim, antes de largar a sociedade, com a venda das ações em 2025, perdeu a batina. A Igreja o afastou de suas funções em 2021, um ano depois da negociação.
Após semanas com uma avalanche de matérias sobre o caso Master, somente nessa quinta-feira (12) a informação foi admitida pelo gabinete do magistrado, que justificou que as transferências de recursos foram declaradas e aprovadas pela Receita Federal. Em sua defesa, Toffoli alegou que não sabia que o fundo Arllen, para o qual as ações de sua empresa foram vendidas, era ligado ao Master. É a mesma coisa de você boicotar a Coca comprando Fanta. Como que um ministro, que relata, que julga casos que exigem atenção, informações e conexões, venderia seu negócio familiar sem saber os lastros do comprador?
Ao longo do processo, Toffoli deu muitos indícios de que seu interesse no processo de investigação do Master pareceria ir muito além que o normal. Queria centralizar de tal forma a investigação que chegou a exigir que todo o material apreendido pela Polícia Federal fosse levado ao STF. Sua última medida foi solicitar que todos os laudos, dados de celulares e mídias periciadas fossem mandados lacrados para sua pasta. Essa decisão foi tomada após o diretor da PF, Andrei Rodrigues, enviar ao presidente do Supremo, Edson Fachin, um relatório sobre a perícia realizada no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O nome de Toffoli foi encontrado nas mensagens.
A situação foi agravando-se de tal forma que o STF se viu em meio a uma areia movediça, fazendo com que o “caso Toffoli” passasse a afundar também a credibilidade do próprio Supremo. Depois de uma reunião, Toffoli abriu mão da relatoria, por livre e espontânea pressão. Agora é aguardar o andar da carruagem, que com o feriadão do carnaval dá mais um fôlego para os envolvidos despistarem a mídia, no momento focada no sambódromo.
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