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Por: Cláudio Dalla Benetta - H2FOZ

Salto del Guairá declara "catástrofe econômica", que se avizinha de Ciudad del Este

Salto del Guairá declara
Ponte da Amizade, entre Foz e Ciudad del Este, e Ponte Ayrton Senna, que liga Guaíra (PR) a Mundo Novo (MS), que faz fronteira com Salto del Guairá. (Foto: Montagem)

H2FOZ - Cláudio Dalla Benetta

"Estacionamentos vazios, comércios fechados, ruas desoladas e um ambiente em que se respira desespero." É assim que o correspondente do jornal paraguaio Última Hora, Carlos Aquino, inicia a matéria sobre o estado de "catástrofe econômica e social" em Salto del Guairá, na fronteira do Paraguai com o Brasil.

Em editorial, o Última Hora também aborda a questão de Ciudad del Este e opina que "o coronavírus evidencia novamente a inviabilidade da economia regional".

Segundo o jornal, o país tem um alto custo para "manter uma estrutura econômica que gera poucos benefícios para os habitantes do seu entorno territorial e contribui muito pouco para o desenvolvimento do país".

Salto del Guairá

Em Salto del Guairá, noticia o jornal, a Câmara de Vereadores e a Prefeitura decretaram "catástrofe" devido ao movimento comercial nulo, com o fechamento da fronteira. Os comerciantes estão preparando uma caravana "para exigir respostas do governo".

"Faz 105 dias que estamos parados, sem poder vender nada. O ambiente é triste e desolador. Onde há três meses havia algazarra, hoje vemos angústia", comentou o empresário Victor Stanley, do sindicato de micro, pequenas e médias empresas do município.

O empresário disse que umas 3 mil lojas já fecharam as portas, deixando cerca de 7 mil pessoas sem trabalho.

O governo precisa com urgência liberar créditos aos comerciantes e congelar as dívidas, em vista da paralisação total de atividades, argumentou.

Antes e agora

O portal paraguaio publicou fotos feitas de um mesmo ponto, para mostrar como era Salto del Guairá antes da pandemia e como está a situação agora. Onde havia intenso movimento, restou um vazio.

As promessas

Até agora, o que o governo prometeu para as cidades de fronteira com o Brasil e a Argentina foi reduzir as taxas portuárias e aeroportárias, diminuir o imposto seletivo de consumo para alguns produtos e também o Imposto de Valor Agregado.

Outra proposta pretende habilitar o sistema "delivery" para compradores do Brasil, para evitar que os brasileiros precisem entrar no país. A compra seria feita pela Internet, com entrega na casa do comprador, no Brasil.

No entanto, enquanto as fronteiras permanecerem fechadas, o Brasil não vai permitir a entrada de produtos estrangeiros. A mercadoria que entrar será retida pela Receita Federal. Além disso, a cota de até US$ 500 para as cidades de fronteira terrestre com o Brasil só vale, também, com as fronteiras livres.

O proóprio governo brasileiro publicou decreto em que, a contar do último dia 20, as fronteiras  continuarão fechadas por mais 15 dias, mantendo-se a exceção para o transporte de cargas.

Como o governo paraguaio não tem, nem a médio prazo, intenção de reabrir suas fronteiras, a situação vai continuar como está por um longo período.

Argentina

Aliás, o governo argentino também mantém a posição de fronteiras fechadas enquanto perdurar a pandemia, principalmente devido ao grande número de casos e de mortes no Brasil.

E, mesmo que o governo do país autorize a reabertura, o governador da província de Misiones (onde fica Puerto Iguazú), Oscar Herrera Ahuad, foi categórico durante uma entrevista coletiva, na semana passada.

"Não vou aceitar que sob nenhum ponto de vista se abram as fronteiras", disse Auhad, conforme noticiou o portal La Voz de Cataratas.

A afirmação foi feita depois que a Câmara de Vereadores de Encarnación, cidade paraguaia que faz fronteira com Posadas, capital de Misiones, informou que ia apresentar uma proposta ao governo do seu país para uma reabertura "parcial e gradual" da ponte que liga as duas cidades.

"As questões comerciais não podem estar acima das questões sanitárias e da segurança sanitária da nossa província", disse o governador.

Editorial sobre Ciudad del Este

A economia de Ciudad del Este também tem dependência excessiva do Brasil, segundo o Última Hora. Foto Wallpaper Flare

O Última Hora, em editorial no domingo, 21, lembrou que Ciudad del Este "está de novo no noticiário, solicitando uma atenção especial das autoridades econômicas", devido à crise que atravessa "por sua dependência do Brasil".

Embora o pedido de ajuda seja por causa da pandemia, "quase todos os anos há algum motivo que merece a mesma atenção", acrescentou o jornal, que defendeu uma reconversão econômica urgente, "para superar os obstáculaos que impedem um desempenho econômico autônomo, no marco da legalidade, e que contribua para o desenvolvimento da região".

A pandemia, defendeu o editorial, "não só deve se constituir na desculpa para pedir auxílio, como também de argumento para iniciar a mudança que há anos os próprios atores prometem. Não pode ser que, depois de tantos anos, grande parte do setor empresarial continue dependendo do comércio com o Brasil".

O jornal disse que, a esta situação, soma-se o fato de que "periodicamente as atividades ilegais mostram ao mundo um Paraguai que não reflete a situação do restante do país".

No exterior, "Ciudad del Este só remete ao tráfico de armas, falsificações, contrabando, evasão e inclusive terrorismo, percepções que se materializaram em filmes e documentários. Basta pesquisar na Internet para encontrar uma multiplicidade de casos na Justiça que envolvem centenas de milhões de dólares".

O departamento de Alto Paraná, do qual Ciudad del Este é a capital, observou ainda o editorial do Última Hora, "é um dos mais ricos do país. No entanto, seus indicadores econômicos e sociais não diferem substancialmente da média nacional e, em alguns casos, se encontra pior que outros departamentos com menor potencial econômico".

Alto Paraná é um dos que mais recebem roalyties, sendo Ciudad del Este o município "mais beneficiado do país". O departamento, também, é um dos maiores produtores de soja e com maior rendimento, como em outras atividades".

O modelo econômico atual de Ciudad del Este "não é só insustentável e vulnerável, o que obriga a região a solicitar permanentemente medidas de apoio, como também tem escasso efeito positivo a nível microeconômico", afirmou ainda o Última Hora.

Para o jornal, o que o governo deve fazer é "desenhar um plano de reativação e proporcionar os incentivos e o apoio necessário para mitigar o impacto negativo do coronavírus na população" e garantir "as mudanças necessárias para que Ciudad del Este deixe de depender do país vizinho e inicie uma transformação produtivaa que lhe permita, a médio prazo, maior autonomia, produtividade e competitividade, com geração de empregos de qualidade e melhoras substanciais na qualidade de vida".

É um esforço que deve contar com apoio do empresariado, que precisa estar disposto a uma mudança substancial, enquanto ao Estado cabe "impulsionar medidas que incluam incentivos para essa mudança".

Conclusão do editorial: "Deixar as coisas como estão só termina em altos custos para o país e a
permanente emergência regional".