Agora foi em Assunção: “chatarra” choca em árvore e 12 ficam feridos

Serviços de emergência atendem os feridos pelo choque do ônibus contra a árvore. Foto: La Nación

Acidente foi na manhã desta quarta-feira, no centro da capital.

Enquanto a gente torce pra que o transporte coletivo de Foz do Iguaçu entre realmente “numa nova era”, conforme a promessa, cada vez mais se surpreende com o descaso das autoridades paraguaias em relação ao transporte coletivo.

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Não é só em Ciudad del Este que o transporte coletivo do Paraguai utiliza ônibus em condições inadequadas, pra não dizer péssimas.

Na manhã desta quarta-feira, 9, um ônibus “chatarra” (sucata, em espanhol) chocou-se contra uma árvore, no centro de Assunção, e 12 pessoas ficaram feridas.

Pela informação preliminar, o motorista perdeu o controle por causa de um buraco na pista. O ônibus subiu no canteiro central e impactou contra uma árvore.

O jornal La Nación deu a notícia e acrescentou que usuários do transporte coletivo dizem que, além das longas esperas por ônibus, colocam em risco sua integridade física ao viajar num coletivo sucateado.

NO GOOGLE

É só pesquisar “chatarra en Paraguay” ou algo parecido que logo vão aparecer inúmeras matérias sobre acidentes envolvendo coletivos sem condições de circular. Perdem rodas, volante, os freios, tudo está fora do tempo normal de utilização.

Pela lei, só podem circular coletivos com no máximo 20 anos de fabricação, ao menos para o transporte intermunicipal. Dentro das cidades, os municípios é que definem o que pode e o que não pode circular.

“O transporte coletivo é uma questão de sorte”, diz um artigo do jornal Última Hora, publicado em 9 de maio de 2012. “Na Internet, escolhemos onde ir, mas na vida cidadã dependemos dos coletivos, que se fazem em pedaços”.

“(Somos) pedestres reduzidos a ser clientes cativos, abnegados passageiros de um veículo que, se não sai uma das rodas no percurso, falham os freios e tem os assentos quebrados, enquanto podemos apreciar a cortesia do motorista que, sensibilizado, reduz a velocidade para que possamos pular – descer – entregando nossa alma à santa sorte”, diz ainda o artigo.

De acordo com o jornalista que assinou o artigo, César González Páez, os velhos ônibus foram tirados de circulação, anos atrás – “sempre fazem isso” -, mas depois são habilitados de novo para que a “cidadania” não tenha que sofrer com a falta de coletivos.

“Voltamos ao mesmo assento despedaçado em que estávamos sentados até um mês atrás e, ainda por cima, agradecidos.”

ACIDENTE FATAL

Depois do choque com a motocicleta, o ônibus parou no guard-rail. Foto: CDE Hot

No sábado, em Ciudad del Este, o volante de um “chatarra” se soltou e o ônibus avançou sobre o canteiro central, invadiu a pista contrária e atingiu uma motocicleta. O condutor morreu e sua mulher continua internada, em estado grave.

A Prefeitura de Ciudad del Este suspendeu todos os ônibus e os itinerários da empresa Mburucuya S.A., dona do ônibus acidentado.

O portal CDE Hot disse que nenhuma pessoa foi ainda processada pelo caso.

O motorista não tinha a licença exigida para conduzir o ônibus, que por sinal nunca poderia estar circulando, informou o CDE Hot.

E, segundo a Prefeitura, o ônibus não estava habilitado para o transporte de passageiros e fazia um itinerário que não corresponde ao contratado com a empresa.

A modificação do itinerário, sem autorização, e o uso de ônibus que não cumprem os requisitos e as especificações legais técnicas exigidas pela Prefeitura levaram à suspensão do contrato.

Pelo menos sete ônibus da empresa Mburucuya – todos “chatarras” – estão retidos num depósito da Prefeitura, impedidos de circular.

Para cobrir os percursos feitos pela empresa, a Prefeitura concedeu autorização provisória para que veículos do transporte alternativo façam os itinerários.

As chatarras da empresa estão agora em depósito municipal. Foto: CDE Hot

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.