Brasil e Paraguai definiram, nesse fim de semana, a retomada das conversações sobre a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu. O anexo, que completou 50 anos em 2023, estabelece as bases financeiras para o funcionamento da hidrelétrica binacional.
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Na tarde de domingo (22), os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Santiago Peña mantiveram uma reunião bilateral em Campo Grande (MS). O encontro ocorreu em paralelo à Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15).
O andamento das conversações entre Brasil e Paraguai sofreu um revés após a divulgação de que, entre 2022 e o início de 2023, autoridades paraguaias envolvidas nas negociações foram monitoradas pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
O governo brasileiro apresentou ao Paraguai relatório oficial sobre o caso. De acordo com o documento, o monitoramento cessou quando o novo presidente da Abin, indicado por Lula, tomou conhecimento do fato.
Nas redes sociais, o presidente Santiago Peña disse que conversou com Lula “sobre o Tratado de Itaipu e a visão política que impulsionaremos para o crescimento e o desenvolvimento dos nossos países”.
“Nesse sentido, junto às nossas delegações, analisamos os detalhes sobre o preço da energia e seu efeito no desenvolvimento das nossas nações em curto e longo prazo”, complementou.
Relacionamento Brasil–Paraguai
Conforme o presidente do Paraguai, a conversa girou também em torno de temas regionais, como o fortalecimento do Mercosul. Os presidentes abordaram, além disso, a necessidade de colaborar com a retomada dos processos democráticos na Venezuela.
Já Lula manifestou que o Brasil espera destravar as conversações sobre Itaipu para que a definição sobre o cálculo do preço da energia ocorra ainda em 2026.
O presidente brasileiro mencionou, ademais, a cooperação com o país vizinho no combate ao crime transfronteiriço e a preservação dos biomas conjuntos. O Pantanal, por exemplo, possui partes no Paraguai e na Bolívia.

