A tropa do PT baixa neste sábado (27) em Foz do Iguaçu no encontro regional do pré-candidato Requião Filho (PDT) a governador do Estado nas eleições de outubro. A deputada Gleisi Hoffmann – pré-candidata ao Senado -, o presidente da Itaipu Binacional, Enio Verri, deputados estaduais e federais e vereadores da região oeste estarão presentes no encontro que será no Sinefi (sindicato dos eletricitários). A presença ostensiva de petistas e dos outros dois partidos – PCdoB e PV – da Frente Brasil Esperança (FBE) tem mais um motivo: a resistência de setores do PDT em participar da campanha de reeleição do presidente Lula (PT).
Em nível nacional, a aliança está bem encaminhada com as direções do PDT e PSB, mas no Paraná o convencimento ainda tem um caminho pela frente. O próprio deputado Requião Filho ainda não sinalizou qualquer tipo de firmeza no assunto e o presidente estadual do PSB, deputado Luciano Ducci, não gostou das notícias que o partido e a FBE estariam acertados para outubro.
“O PDT local não foi consultado sobre as coligações, tampouco temos essa cobrança ou imposição de apoiar o atual presidente da república. As energias serão usadas para eleger o governador e fazer o maior número possível de deputados federais e estaduais”, disse o ex-vereador Kalito Stockel, presidente do diretório municipal, ao H2FOZ.
Prioridades
Kalito diz ainda que a executiva estadual do PDT vê Foz como um importante polo não apenas pelo colégio eleitoral, mas também (e principalmente) pela militância e histórico do partido na cidade e na região oeste. “Teremos recursos e investimentos na campanha dos deputados de Foz e região já que esses são os primeiros e principais cabos eleitorais do candidato a governador”, que vai escolher entre quatro pré-candidatos que vai disputar a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados: Kalito Stockel, Maurício Streit, Giovani Fagundes e Paulinho do Asfalto. “Desses, os que se apresentarem mais viáveis até 4 de abril, terão seus nomes levados à Curitiba para chancela da executiva estadual”, completou.
Requião Filho na cabeça de chapa, na opinião de Kalito, vai puxar votos para as candidaturas proporcionais. “O voto de legenda inevitavelmente sobre com o candidato na “cabeça” da chapa. Além disso, os recursos partidários, vindos da executiva nacional tendem a ser mais robustos também”, apontou.
A composição com o PT, PV e PCdoB na majoritária, segundo Kalito, foi uma decisão tomada entre a executiva nacional e a estadual. “Não passou em nenhum momento
por qualquer consulta às bases. Esse processo entendo como pouco democrático mas nos cabe, de momento, acatar e respeitar a decisão dos dirigentes partidários. A Federação PV, PT e PCdoB tem muito a acrescentar no que tange a recursos, tempo de TV e militantes.
“Por outro lado, há historicamente uma rejeição considerável de parte da população à federação em Foz. Ponderar os prós e contras são os desafios das executivas nacional e estadual e, aparentemente, entenderam haver mais pontos positivos do que negativos. Infelizmente, repito, não participamos em nenhum momento dessa decisão”, completou.
Decepção
O PDT também considera o governo Silva e Luna (PL) “uma grande decepção” em Foz do Iguaçu. “Levando em consideração as falas e propagandas de campanha, o que se vê, na verdade, uma constante tentativa de “acerto e erro”. Um governo com zero de proatividade, amador e que não soube até o momento entender a cidade e entender como funciona a administração pública municipal”, disse.
“Boa parte dos secretários é apenas esforçada mas sem competência técnica e política. Falta ainda ao prefeito (e a seus secretários e assessores mais próximos) humildade em reconhecer seus erros e aceitar sugestões. Banalizaram a palavra gestão e são pródigos em desculpas”, completou.
O grande problema, para Kalito, não reside, propriamente, na escassez de recursos financeiros, uma vez que o município apresenta níveis expressivos de arrecadação e um orçamento compatível com seu porte. “O entrave situa-se, antes, no campo da gestão e da governança onde a alocação de recursos humanos em posições estratégicas nem sempre obedece a critérios técnicos e de capacidade administrativa”.
Amadorismo
Percebe-se, diz Kalito, a ausência de uma cultura gerencial orientada por planejamento, metas e avaliação de resultados. “É um verdadeiro amadorismo, evidenciado ainda à limitação no campo da articulação política, especialmente na relação entre os poderes executivo e legislativo. O legislativo não cumpre sua função primaz, que é fiscalizar, prevalecendo dinâmicas marcadas por interesses imediatos e individuais e pela lógica eleitoral”,
“Para superar esse cenário, defendo a qualificação da gestão e da maturidade das relações políticas com a valorização de critérios técnicos na ocupação de cargos estratégicos e a adoção de práticas modernas de governança e compliance”, completo


