Aida Franco de Lima – OPINIÃO
A crueldade praticada contra o cachorrinho comunitário Orelha, que vivia em uma praia de Florianópolis e foi torturado por alguns playboys, despertou a atenção da sociedade para a impunidade que confere aos criminosos uma espécie de passaporte para a psicopatia. Sim, há um vínculo muito forte entre quem pratica crueldade contra animais e os psicopatas.
A pessoa que não se compadece com o sofrimento de um animal indefeso é uma bomba-relógio social. Se hoje torturou um bichinho, que muitas vezes não vai ser justiçado, amanhã tem fortes possibilidades de fazer o mesmo a um humano.
Depois da enorme repercussão em torno da crueldade cometida contra Orelha e a blindagem dos envolvidos, porque são provenientes de castas econômicas mais abastecidas, forçou-se o enrijecimento de lei que penaliza esse tipo de crime.
E olhe só, já temos o primeiro caso “presenteado” com a nova mudança. Desta vez, a vítima foi uma capivara. Os contemplados foram oito homens, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Seis deles, maiores de 18 anos, foram presos, com envolvimento de outros dois adolescentes. Eles foram flagrados por câmeras de segurança cercando e espancando o animal com barra de ferro e pedaços de pau no sábado, 21 de março.
Os adultos vão responder por maus-tratos, associação criminosa, porque agiram em bando, e corrupção de menores. Os adolescentes respondem por atos infracionais semelhantes, mas a diferença é que os marmanjos vão para o xilindró; e os menores, para casas de ressocialização. Cada homem vai sentir no bolso a multa, que antes girava em torno de R$ 300 a R$ 3.000, e agora é de R$ 20 mil. Afinal, se psicopata não tem coração para doer, que doa ao menos no seu bolso.
Foram presos em flagrante: Isaías Melquiades Barros da Silva, José Renato Beserra da Silva, Matheus Henrique Teodosio, Paulo Henrique Souza Santana, Pedro Eduardo Rodrigues e Wagner da Silva Bernardo. Após a audiência de custódia, no dia 23, a prisão foi convertida em preventiva. Esta serve para proteger o processo, a sociedade. Imagine, oito homens se juntam e decidem cometer crueldade a um animal. Se fosse uma pessoa, agiriam diferente? Nenhum deles teve um segundo de consciência em pensar ao menos nas consequências criminais, já que não se compadeceram com o sofrimento do bichinho? A resposta já sabemos.

A defesa de parte dos envolvidos expediu o texto de praxe. Alegou que, mesmo diante das imagens de câmeras de segurança e da capivara ferida, não há uma prova técnica sobre o ocorrido, que são primários, possuem residência fixa e praticam atividades lícitas.
Primários diante da Justiça, pois aos olhos dos animais já contam com ficha corrida pelo visto. Uma testemunha reconheceu Wagner da Silva Bernardo, porque ele já havia espancado outra capivara. Ao tentar intervir para salvar o animal, a testemunha também foi agredida por Wagner. Mais uma prova sobre a Teoria do Elo — que, resumidamente, diz que quem é cruel com animais também o é com pessoas.
O crime mais recente foi gravado por câmeras de segurança, mas, segundo testemunhas, os próprios envolvidos também gravaram a crueldade em tom de deboche. A capivara foi resgatada ferida ainda no sábado, teve ferimentos na cabeça e pode ter perdido a visão em um dos olhos, porém está recuperando-se. Quanto aos envolvidos, a recuperação é incerta.
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