Aida Franco de Lima – OPINIÃO
A cada dia estamos assistindo a nossas cidades sendo alagadas, casas destruídas, desmoronadas…, e o que os gestores públicos estão fazendo para prevenir essas tragédias? Postando fotos sorridentes nas redes sociais, em busca de likes. Vejam as redes sociais, estão lá todos radiantes, inaugurando um poste ou dando um bem-vindos na volta às aulas.
Limpeza e ampliação de galerias pluviais, aumento ou implementação de redes de esgoto, contratação de profissionais da saúde e ampliação de exames. São necessidades essenciais da população, mas isso é difícil de traduzir em imagens.
Os gestores querem coisas físicas para que possam explorar em troca de votos, fama e poder. Como é que um político vai ostentar rede de esgoto no aniversário de uma cidade? Muito mais prático torrar dinheiro com shows de famosos que lotam os picadeiros, os circos…, que atraem caravanas da região, que geram vídeos e fotos para as redes sociais. Não compensa gastar com o que é útil! Não gera likes. Na visão deles, claro, afinal não precisam enfrentar filas para exames ou não têm suas casas alagadas.
- As chuvas que aconteceram em Juiz de Fora, a partir de 23 de fevereiro, nem despertaram a atenção devida, porque é como se isso não fosse mais novidade e porque, entre isso tudo, outras notícias também tiveram forte impacto. Os bombardeios de EUA e Israel contra o Irã; as maracutaias do bandido de colarinho branco, o banqueiro Daniel Vorcaro; o estupro coletivo de uma jovem no Rio, comandado por um “menor”; os feminicídios diários. Tudo isso compete com assuntos que envolvem a sustentabilidade.
Os governantes, salvo raríssimas exceções, não são pessoas preparadas para lidar com as necessidades de uma cidade, de um estado, de um país. Porque normalmente são pessoas eleitas, não pela competência administrativa, mas pela força do sobrenome, das relações de amizade, poder, dinheiro. Não estão preocupados com o coletivo, e sim com o “eu”. E quando delegam funções estratégicas, como quem vai chefiar a Secretaria de Meio Ambiente, Obras ou Ação Social, seguem a mesma cartilha. O QI significa “quem indica”, não quociente de inteligência.
Normalmente, estão nos cargos, também, porque têm popularidade, dinheiro ou influência. Uma coisa ou outra, ou tudo junto e misturado. Muitos são negacionistas climáticos, acreditam que proteção ambiental é perda de tempo. O que esperar desses gestores?
A comunidade afetada é sempre a mesma, aquela que não tem direito à voz. Já está normalizado, há muito tempo, famílias inteiras morrerem afogadas ou vítimas de deslizamentos nos grandes centros urbanos. Basta uma chuva forte em São Paulo para surgirem as manchetes de carros arrastados pelas fortes correntezas. Os rios canalizados retomam seu espaço no asfalto, e ninguém sabe o que é leito e o que é asfalto.
A conta sempre bate à porta dos mais fragilizados. Ninguém escolhe morar em uma encosta. Ninguém escolhe estar onde há alagamentos. Os gestores públicos estão confortáveis em suas mansões. Não vivem a realidade da comunidade.
Quando a Defesa Civil age, é basicamente para remediar. E quando interdita uma área e retira famílias do local em nome da segurança, o plano de evacuação dificilmente tem um outro braço forte para acolher os desabrigados. Eles que lutem!
Enquanto os gestores viverem em berço esplêndido, com todas as mordomias pagas pela sociedade, vão continuar na bolha. É preciso que a sociedade se manifeste, organize-se, pressione e mobilize-se para exigir o que temos de direito: usufruir nossos impostos.
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