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Audiência alerta para crise de saúde mental entre profissionais de segurança do PR

Transtorno mental entre servidores policiais está acima do registrado na média da população; legislações não são aplicadas

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Audiência alerta para crise de saúde mental entre profissionais de segurança do PR
Transtornos entre servidores policiais está acima da média da população. Foto: Orlando Kissner/Alep

A saúde mental dos profissionais da segurança pública e privada do Paraná foi tema de audiência pública realizada na quinta-feira, 19, no Plenarinho da Assembleia Legislativa do estado. O evento contou com a participação de especialistas e representantes das forças de segurança. 

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Propositor da audiência, o deputado Tito Barichello (União) diz que o Brasil vive uma verdadeira catástrofe quando se fala em saúde mental dos policiais. O parlamentar apresentou dados preocupantes que apontam que há, em média, um caso de suicídio de policial a cada três dias no país.

Para ele, os números são inaceitáveis e evidenciam a urgência de medidas concretas. “Muitas vezes, é mais provável que um policial tire a própria vida do que morra em confronto. Isso mostra o nível de sofrimento enfrentado por esses profissionais”, disse.

Conforme o diretor do Sindicato dos Servidores da Socioeducação do Paraná (Sindesc), Mário César Monteiro, cerca de 20% da população apresenta algum tipo de transtorno mental, número que ultrapassa 40% entre servidores policiais.

Monteiro também falou sobre a expectativa de vida desses profissionais. Enquanto a média nacional gira entre 73 e 75 anos, entre policiais esse índice cai para cerca de 62 anos, evidenciando o impacto das condições de trabalho.

Ele lembrou que há leis voltadas à saúde mental dos profissionais, mas criticou a falta de efetividade na aplicação dessas normas. “Nos últimos anos, diversas legislações foram aprovadas, mas não saíram do papel”, afirmou.

Sobrecarga de trabalho, ansiedade e depressão

A presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol), Valquíria Gil Tisque, chamou atenção para a sobrecarga de trabalho enfrentada pela categoria e a falta de efetivo como um dos principais fatores que contribuem para o aumento dos casos de adoecimento mental entre os policiais.

O policial penal Cristiano da Luz, diretor do Sindicato dos Policiais Penais do Estado do Paraná (Sindarspen), também apresentou dados preocupantes referentes à categoria, indicando que mais de 50% dos policiais penais já relataram algum tipo de problema relacionado à saúde mental.

Representante do Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP), a psicóloga Jéssica Tonioti da Purificação explicou que os quadros mais recorrentes entre os servidores estão relacionados à ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.

Ela ainda alertou que essas condições, em muitos casos, podem ocorrer de forma simultânea e evoluir para situações mais graves. “Esses transtornos podem estar associados à ideação suicida, o que é extremamente preocupante, especialmente quando falamos de uma categoria que tem acesso facilitado a meios letais”, destacou.

Jéssica reforçou a necessidade de um olhar preventivo dentro da atuação profissional, com foco na identificação de fatores de risco e no acompanhamento contínuo desses trabalhadores. De acordo com ela, embora os aspectos psicológicos sejam centrais, é fundamental considerar também fatores ambientais e estruturais inerentes à atividade na segurança pública.

(Com informações da assessoria de comunicação da Alep)

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    Denise Paro

    Denise Paro é jornalista pela UEL e doutoranda em Ciências Políticas e Relações Internacionais. Atua há mais de duas décadas nas Três Fronteiras e tem experiência em reportagens especias. E-mail: deniseparo@h2foz.com.br

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