Com a perda de poder aquisitivo acumulada nos últimos anos, as famílias da Argentina estão recorrendo a proteínas alternativas. Ao mesmo tempo em que o tradicional consumo de carne bovina despenca, opções como porco e aves ganham força.
Na província fronteiriça de Misiones, contudo, parte da carne consumida localmente está entrando de forma irregular na Argentina.
Em entrevista ao portal Misiones Online, o presidente da Cooperativa Frigorífica de Leandro N. Alem (Cofra), Ricardo Saraceni, manifestou preocupação. Segundo Saraceni, o contrabando de carne suína do Brasil para a Argentina está em franca ascensão.
“No começo do ano, me perguntavam sobre isso, e eu dizia que não era significativo”, recordou. “Mas, hoje, produtos derivados do porco e também partes inteiras estão entrando do Brasil e chegando a toda a província.”
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Conforme Saraceni, a situação está vinculada a fatores internos e externos à economia argentina. Internamente, por exemplo, os custos estão elevados e o poder aquisitivo dos consumidores caiu. Externamente, o preço da carne suína recuou no Brasil.
“Temos um tipo de câmbio que não é competitivo para a exportação, mas sim para a importação”, lamentou o presidente da cooperativa. “Felizmente, o preço da carne suína está voltando a subir no Brasil.”
Mais que uma questão econômica, Saraceni questiona o risco sanitário trazido pelo produto que entra ilegalmente na Argentina.
“A carne de porco que vem do Brasil não mantém a cadeia de frio. Isso vira um problema sanitário para o setor produtor e também para as pessoas que consomem esse produto”, indicou o dirigente, pedindo mais fiscalização nas fronteiras e nos pontos de venda.

