A deputada federal e candidata a senadora Gleisi Hoffmann (PT) representou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com pedido para a retirada de posts na internet que defendem o fim do voto feminino. A parlamentar também quer a suspensão dos perfis que irrigam a rede com esses ataques.
O alvo é uma rede de influenciadores que, segundo a ação, defendem o fim do voto feminino e atacam a participação das mulheres na política. A representação reúne manifestações publicadas em redes sociais, podcasts e programas nas plataformas digitais.
Gleisi e o voto feminino
Conforme a representação de Gleisi, são conteúdos que classificam o voto das mulheres como um erro e defendem o chamado “voto familiar”. Ou ainda, sustentam que, em caso de divergência entre marido e mulher, a decisão do homem deve prevalecer.
Impulsionamentos e monetização
A ação pede que as plataformas preservem as publicações e os dados técnicos sobre alcance, impulsionamento e monetização. Também solicita, em caráter liminar, a retirada do ar dos conteúdos individualizados que efetivamente defendam a supressão, redução ou subordinação do voto feminino.
Para Gleisi Hoffmann, o pedido não pretende proibir o debate sobre voto, família ou modelos de democracia, mas “impedir condutas que possam restringir direitos políticos em razão do sexo”, frisa.
Votar e ser votada
O voto foi uma conquista das mulheres e direito reconhecido em 1932, incorporado à Constituição de 1934 como facultativo; em 1965, tornou-se obrigatório. Mas, a participação feminina no parlamento permaneceu restrita nas primeiras eleições.
Nas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte de 1933, entre os chamados “deputados do povo”, apenas uma mulher foi eleita: Carlota Pereira de Queiroz, por São Paulo. Berta Lutz, também candidata, ficou com a primeira suplência pelo Distrito Federal. Entre as chamadas “deputadas das profissões”, foi escolhida Almerinda Gama, representante classista do Sindicato dos Datilógrafos e Taquígrafos e da Federação do Trabalho do Distrito Federal.

