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Cidadania

Voto e conscientização

Extremo-oeste se mobiliza contra déficit de representatividade política

Juntos, 18 municípios da região entre Foz e Medianeira contribuíram com R$ 23 bilhões em impostos, mas receberam só R$ 130 milhões em verbas de deputados estaduais.

3 min de leitura
Extremo-oeste se mobiliza contra déficit de representatividade política
Região quer candidatos comprometidos com pautas macros, como infraestrutura logística – foto: Marcos Labanca/H2FOZ

Os 18 municípios do extremo-oeste do Paraná contribuíram com R$ 23,2 bilhões em impostos nos últimos quatro anos, mas receberam apenas R$ 130 milhões em verbas de deputados estaduais entre 2019 e 2025. O dado é um dos exemplos do desequilíbrio apresentado e debatido no último dia 31, no Conselho de Desenvolvimento Econômico de Foz do Iguaçu (Codefoz), e tem um diagnóstico direto: déficit de representatividade política.

Diante do cenário, entidades da sociedade civil lançaram uma campanha para que partidos políticos apresentem candidaturas parlamentares viáveis nas eleições de 2026, comprometidas com as demandas regionais. A mobilização também pretende conscientizar o eleitorado sobre a importância do voto qualificado, voltado a representantes com capacidade de gerar resultados concretos para o território.

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O levantamento que relaciona maior representatividade política a mais investimentos foi desenvolvido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Medianeira (Codemed), em parceria com a Caciopar (Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná), e está sendo apresentado em diferentes cidades da região.

Representatividade política

Os dados eleitorais reforçam o diagnóstico. No último pleito, o extremo-oeste somava 414 mil eleitores aptos, dos quais 333 mil compareceram às urnas — uma abstenção de cerca de 20%. Além disso, há forte dispersão de votos: em 2022, dos 860 candidatos a deputado estadual no Paraná, 682 receberam votos na região; entre os 600 candidatos a deputado federal, 529 foram votados nos municípios locais.

O recorte de Foz do Iguaçu evidencia o fenômeno. O eleitorado destinou votos a 586 candidatos à Assembleia Legislativa e a 396 postulantes à Câmara Federal, indicando pulverização que dificulta a consolidação de lideranças regionais.

“O foco do movimento é mobilizar a sociedade em torno do voto qualificado, para elegermos representantes comprometidos com o território”, afirmou o presidente do Codefoz, Marcelo Brito. Segundo ele, a plenária também propôs a criação de um colegiado regional para ampliar o debate e reduzir a fragmentação eleitoral.

Falta de representatividade política da região foi debatida no Codefoz – foto: assessoria/divulgação

Força econômica, fragilidade política

O estudo destaca o contraste entre a relevância econômica da região e sua baixa influência política. Os 18 municípios somam quase 600 mil eleitores e um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 33,3 bilhões, equivalente a cerca de 5% da economia paranaense. Se fosse um único município, o conjunto seria o quarto mais rico do Estado.

Apesar disso, o retorno em recursos públicos é desproporcional. “Para cada R$ 1 recebido, a região enviou R$ 178 ao Estado. Vemos cidades menores recebendo muito mais verbas parlamentares”, afirmou o diretor-executivo do Codemed, Jaime Tezza. “Reclamar não adianta. O futuro da região será definido por quem se organiza”, concluiu.

(Com informações da assessoria)

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    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.

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