Foz tem 1.737 notificações de dengue e 123 casos confirmados desde agosto

Região Norte concentra 33% das ocorrências; veja o que diz um estudo sobre o fumacê, uma das estratégias do município no combate à doença.

A prefeitura divulgou nesta quinta-feira, 12, boletim atualizado da incidência de dengue em Foz do Iguaçu. São 1.737 notificações e 123 casos confirmados da doença desde agosto, quando teve início o chamado ano epidemiológico, que vai até julho de 2021.

No informe divulgado no dia 3 de novembro, eram 1.458 casos notificados de dengue e 96 diagnósticos de pessoas com a confirmação da doença no município.

Nesse período de pouco mais de três meses, ocorreu uma morte por dengue; neste ano, nove pessoas perderam a vida em Foz do Iguaçu devido à doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que também é vetor de outras enfermidades virais, como febre amarela, chikungunya e zika.

De acordo com a epidemiologia, a Região Norte tem a maior concentração de dengue no município: um total de 40 (33%). O Leste tem 25 ocorrências (20%); Oeste, 20 (16%); Sul, 10 (8%); e Nordeste, 4 (3%). Os casos de local de moradia ignorados totalizam 24 (20%).

Foz do Iguaçu enfrentou uma de suas piores epidemias de dengue da história, considerado o ano epidemiológico de agosto de 2019 a julho de 2020. No período, foram mais de 19 mil casos confirmados e aproximadamente 26 mil notificações. Estado de emergência em razão da epidemia de dengue foi decretado no início deste ano.

Conforme a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o começo do verão e o crescimento da curva de casos suspeitos de dengue redobram a atenção em relação à doença. Além das ações governamentais, o órgão alerta sobre a importância da participação da população no enfrentamento da doença.

“Os índices de infestação apontados pela Vigilância Ambiental da Sesa confirmam que cerca de 90% dos criadouros do mosquito transmissor da dengue estão nos quintais das residências”, informa a secretaria. “Por isso a importância da participação ativa da população no combate.”

Estudo sobre fumacê

Em estudo para avaliar metodologias de combate à dengue em Foz do Iguaçu, pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) apontam que o enfrentamento do Aedes aegypti com base na dispersão de inseticida via UBV (Ultra Baixo Volume) – o chamado fumacê – não provoca a diminuição desse mosquito.

O resultado da pesquisa foi publicado em outubro deste ano na revista Tropical Medicine and International Health (clique para acessar). Entre os participantes desse estudo estão os docentes que desde 2016 contribuem com dados científicos gerados a partir de demandas do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).

De acordo com a assessoria da Unila, os pesquisadores realizaram experimento em 18 locais da cidade, sendo nove com a aplicação da metodologia UBV e nove sob situação-controle – sem aplicação da metodologia. O estudo foi nos meses de novembro e dezembro de 2017.

“Os resultados mostraram que, nos locais de aplicação, não houve diminuição de mosquitos Aedes aegypti adultos, em comparação com a situação-controle”, relata a universidade. Também foi demonstrado que os “mosquitos Aedes aegypti encontrados em Foz do Iguaçu apresentam resistência ao inseticida malathion, amplamente utilizado nos fumacês”, completa.

Acesse aqui a matéria completa sobre a pesquisa, no portal da universidade. 

Fumacê e outras ações

O CCZ informou ser parceiro no estudo e que a “pesquisa foi iniciada justamente pela percepção de que o produto então utilizado não estaria sendo eficaz no controle do mosquito”. Disse ainda que o inseticida usado hoje é diferente do aplicado até 2019, sendo o Cielo (grupo dos piretroides), empregado atualmente nas pulverizações, usado no país todo.

“É de conhecimento geral que a aplicação do inseticida com veículos fumacês tem limitações conhecidas, como sua permanência no espaço (15 a 25 minutos), e é focada na eliminação de mosquitos que estejam em circulação”, frisou o Centro de Zoonoses. “Daí a necessidade da aplicação em horários específicos, em áreas de comprovada transmissão.”

Conforme o CCZ, o uso do inseticida é uma ação complementar e várias outras iniciativas são desenvolvidas paralelamente. Entre as citadas estão a orientação da comunidade para a eliminação de pequenos criadouros em quintais e vistorias casa a casa.

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