Falta de empatia ou incompetência? Os 6,8 quilômetros da Rodovia das Cataratas (BR-469), em Foz do Iguaçu, liberados nesta semana para trânsito de veículos têm pista dupla, acostamento, ciclovias e viadutos, porém não contam com passarelas para pedestres.
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A lacuna no projeto faz com que trabalhadores, moradores e turistas arrisquem a vida cruzando a via ou fazendo longas caminhadas — sob chuva, sol e no escuro — para pegar ônibus.
Aguardada há décadas por Foz do Iguaçu, a rodovia ampliada liga o trevo de acesso à Argentina ao portão de entrada do Parque Nacional do Iguaçu, em um total de 8,7 quilômetros. Apesar de não estar totalmente concluída, a obra foi liberada pelo governador Ratinho Junior parcialmente, até o trecho que corresponde à entrada do aeroporto.
Moradores de pelo menos seis bairros estão sendo impactados: Carimã, Novo Horizonte, Anita Garibaldi, Mata Verde, Arroio Dourado e Buenos Aires. Eles relatam dificuldades de gestantes, crianças e idosos que dependem do transporte coletivo para locomover-se.
Assista ao vídeo:
Presidente da Associação de Moradores do Novo Horizonte, Cleuza Bazé, 52 anos, afirma que boa parte dos moradores dos bairros próximos à Rodovia das Cataratas trabalha na hotelaria e nos atrativos situados na via.
Por isso, são levados a pular as muretas para voltar para casa ou ir ao trabalho. “Não tem como o trabalhador pular a mureta com a pista movimentada”, frisa.
Os funcionários do hotel Carimã, por exemplo, precisam andar cerca de um quilômetro a pé para acessar o viaduto e chegar ao ponto de ônibus, que fica do outro lado da rodovia.
O problema não se restringe aos trabalhadores. Há muitos idosos, pais que levam crianças para creches, gestantes, cadeirantes e turistas, todos usuários do transporte coletivo.
Morador do Novo Horizonte, Edson Santos, 35 anos, chama atenção para o desrespeito dos motoristas nas vias marginais. Mesmo com a velocidade máxima de 40 km/h, o limite é excedido frequentemente.
A reportagem do H2FOZ esteve no ponto de ônibus próximo ao Chocolate Caseiro e pôde observar o transtorno que os usuários do transporte coletivo passam quando é necessário cruzar a rodovia. Eles precisam pular as muretas e passar por alguns vãos.
O perigo é grande porque, junto às muretas, no chão, há um sistema de drenagem no qual as pessoas podem pisa e machucar-se.
Funcionária do Chocolate Caseiro e moradora do Carimã, Débora Calixto, 41 anos, atravessa a rodovia todos os dias para trabalhar e questiona: “Por que não fizeram um projeto pensando nas pessoas, nos pedestres, também?”
Residente no Carimã, Arlete Andrion, 71 anos, aluga residências para turistas. Segundo ela, muitos deles usam ônibus para ir ao aeroporto ou Parque Nacional do Iguaçu e estão sendo prejudicados pela falta de mobilidade.
Como alternativa aos ônibus, há o transporte por aplicativo, porém muitos motoristas cancelam corridas pela necessidade de fazer retornos para chegar ao local ou quando o preço da corrida é baixo.
Para Mara Correia, moradora do Carimã, o projeto foi malfeito e mal-executado.

Moradores ilhados
Morador do Arroio Dourado, Marcirio de Oliveira Martins diz que os bairros Aparecidinha e Remanso Grande também são impactados pela Perimetral Leste. “Essa Rodovia das Cataratas resolveu só para quem vai para as Cataratas. E os bairros? Não tem engenheiro? Não fizeram uma análise? Tem que isolar?”
Na opinião dele, as marginais da Rodovia das Cataratas deveriam ser no sentido ida e volta. “Eu não entendo o que tem na cabeça desses engenheiros”, desabava.

Martins questiona a conduta em relação à Perimetral Leste, porque inicialmente foram feitas entradas na pista que agora estão fechadas e hoje é comum ver carros na contramão.
O morador também reclama das condições da Avenida Itaboraí, que ficou intransitável com a necessidade de mudar o fluxo de trânsito para realizar as obras.
Entregue parcialmente, obra está atrasada
Iniciada em outubro de 2022, a obra deveria ser entregue em 18 meses. Agora ainda faltam cerca de dois quilômetros para a conclusão total da rodovia, entre o viaduto de acesso ao aeroporto de Foz até o portal de entrada do Parque Nacional do Iguaçu.
Prevista para terminar em julho de 2026, a duplicação é resultado de uma parceria da Itaipu Binacional com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), do governo federal. A execução e a fiscalização cabem ao Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), ligado ao governo estadual.
De acordo com Itaipu, a aplicação dos recursos começou em 2021, contudo houve incremento a partir de 2023.

Dos R$ 174 milhões já desembolsados pela binacional, R$ 82 milhões foram investidos em 2025, superando os R$ 38,9 milhões de 2024 e os R$ 43,7 milhões de 2023. Já o governo do Paraná investiu, conforme balanço divulgado por Itaipu, R$ 1,1 milhão.
Com pista dupla e acostamentos, as vias principais são separadas por barreira de concreto dupla, com 11,8km de marginais e ciclovias compartilhadas, dois viadutos — em frente ao Condomínio Ritz Cataratas e no acesso ao bairro Remanso —, que são utilizados como retornos das marginais.
Também foi construída uma ponte sobre o Rio Tamanduá, com mais de 40 metros de extensão e 31 metros de largura. O projeto foi aprovado pelo DNIT,
Projeto não prevê passarelas, segundo o DER
Em nota, o Departamento de Estradas de Rodagem informa que o projeto de duplicação da BR-469, elaborado pelo DNIT, não prevê a implantação de passarelas para pedestres, tendo sido enviado ofício ao órgão federal relatando as demandas recebidas pelo DER/PR quanto à instalação dessas estruturas.
Por tratar-se de rodovia federal, atualmente recebendo obra administrada pelo DER/PR, caberá ao DNIT elaborar o projeto executivo de engenharia das novas passarelas para pedestres, bem como definir as soluções para execução das obras. Atualmente, não está prevista a inclusão desses serviços na obra de



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