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Pontos de ônibus em Foz podem chegar a 70°C, aponta pesquisa da Unila

Condições expõem milhares de passageiros a riscos à saúde; estudo indica soluções

5 min de leitura
Pontos de ônibus em Foz podem chegar a 70°C, aponta pesquisa da Unila
Condições dos pontos de ônibus são precárias em várias partes da cidade (Foto: Moisés Bonfim/SECOM-UNILA)

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) indica que a temperatura média registrada nas superfícies e entorno dos pontos de ônibus de Foz do Iguaçu chega próximo de 70°C no asfalto, 60°C na calçada e quase 60°C na cobertura.

Consideradas altas, as temperaturas representam risco real à saúde das pessoas, destaca o pesquisador Guilherme Mella dos Santos, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Unila, autor da pesquisa intitulada Conforto Térmico em Pontos de Ônibus: Estratégias Bioclimáticas para Clima Subtropical Úmido.

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Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 20 mil pessoas utilizam o transporte coletivo em Foz do Iguaçu.

Para colher os dados, Mella dos Santos, orientado pelo docente Egon Vettorazzi e coorientado por António Figueiredo, percorreu a cidade fotografando e catalogando os diferentes modelos de pontos de ônibus existentes.

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Ele diz que a cidade tem mais de 1.200 paradas cadastradas, das quais a pesquisa identificou 16 tipos distintos, agrupados em seis categorias de acordo com a sua estrutura física — com ou sem cobertura, com fechamentos laterais, climatizados, entre outros.

pesquisa ponto ônibus
Temperaturas chegam a 70 graus. Imagem: Guilherme Mella dos Santos

Uso de materiais inadequados

Segundo a pesquisa, os principais problemas encontrados foram o uso de materiais inadequados, que acumulam muito calor nas coberturas e pisos; a falta de sombra, tanto nos pontos quanto nas calçadas ao redor; a ausência de ventilação adequada e a falta de árvores no entorno.

“Os próprios usuários também apontaram, no questionário, a sujeira e a falta de manutenção como problemas sérios. Mais da metade dos participantes disse sentir muito calor no verão e muito frio no inverno enquanto espera o ônibus”, relata Mella dos Santos.

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Com base nos dados coletados, os pesquisadores propõem melhorias simples e de baixo custo, que poderiam ser implementadas com vistas à qualificação dos pontos de ônibus.  

Para o professor orientador do estudo, Egon Vettorazzi, com o aumento das temperaturas urbanas, causado tanto pelas mudanças climáticas quanto pela forma como as cidades são construídas, com muitas superfícies que acumulam calor e pouca vegetação, é necessário pensar de que formas as paradas de ônibus podem ajudar a reduzir a exposição ao calor.

“Isso contribuiria para diminuir o cansaço físico, melhorar o bem-estar durante a espera e incentivar o uso do transporte público”, realça.

Coberturas verdes

Para resolver esses problemas, a pesquisa desenvolveu dois novos modelos de pontos de ônibus, adaptados ao clima subtropical úmido de Foz do Iguaçu.

Um deles é voltado para estruturas posicionadas no sentido Leste–Oeste, tendo fechamento frontal parcial para permitir mais sombreamento nas primeiras e últimas horas do dia, quando há mais incidência solar nessas orientações.

O outro é para pontos no sentido Norte–Sul, com a fachada frontal completamente aberta para favorecer a circulação do ar.

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Soluções simples como telhados verdes e plantio de árvores nos arredores podem ajudar a melhorar a sensação térmica nos pontos de ônibus (Imagem: Guilherme Mella dos Santos)

As duas propostas compartilham soluções como cobertura com vegetação (telhado verde), plantio de árvores nativas ao lado da parada, uso de pavimentação clara no piso do entorno e fechamentos laterais em vidro para proteger das chuvas. Essas escolhas, juntas, reduziriam em até 6°C a temperatura dentro dos abrigos.

“O índice internacional de estresse térmico, chamado UTCI, também melhorou nos dois modelos propostos”, detalha o pós-graduando.

Tipos de medições

Para fazer a pesquisa, foram combinadas três formas de investigação: medição direta nos pontos de ônibus, aplicação de questionário e simulação por computador.

Na primeira, o pesquisador instalou equipamentos que registravam, a cada dez minutos, a temperatura e a umidade do ar dentro e fora dos abrigos. Uma câmera termográfica foi usada para medir a temperatura das superfícies, como o chão, as paredes e a cobertura dos pontos. As medições foram feitas em dezembro de 2025, em diferentes horários do dia.

Na segunda, um questionário foi respondido pelos próprios usuários. Entre agosto e outubro do ano passado, 96 pessoas que usam o transporte público em Foz do Iguaçu responderam a perguntas sobre como se sentem nas paradas de ônibus, o que percebem de calor ou frio e o que avaliam como faltando na estrutura dos abrigos.

Na terceira foi usado um software chamado ENVI-met e criados modelos digitais dos pontos de ônibus e do seu entorno, como também foram testadas virtualmente diferentes configurações de rua, pavimentação, vegetação e edificações, para entender o que mais influencia no calor sentido por quem está esperando ônibus. Essa combinação de métodos conferiu ao pesquisador uma sólida base de dados para o estudo.

(Com informações da assessoria de imprensa da Unila)

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    Denise Paro

    Denise Paro é jornalista pela UEL e doutoranda em Ciências Políticas e Relações Internacionais. Atua há mais de duas décadas nas Três Fronteiras e tem experiência em reportagens especias. E-mail: deniseparo@h2foz.com.br

    2 comentários em “Pontos de ônibus em Foz podem chegar a 70°C, aponta pesquisa da Unila”

    1. Doni Vitor

      Se as duas pistas da av. das cataratas demorou mais de 40 anos, imaginem pontos de ônibus climatizados, podem esperar sentados e no calor que a cidade oferece nos meses de outubro a março.

    2. Claudio

      Ta bom…70 graus…impressionante . Do baseado nem vou falar.

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