Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) indica que a temperatura média registrada nas superfícies e entorno dos pontos de ônibus de Foz do Iguaçu chega próximo de 70°C no asfalto, 60°C na calçada e quase 60°C na cobertura.
Consideradas altas, as temperaturas representam risco real à saúde das pessoas, destaca o pesquisador Guilherme Mella dos Santos, no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Unila, autor da pesquisa intitulada Conforto Térmico em Pontos de Ônibus: Estratégias Bioclimáticas para Clima Subtropical Úmido.
Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 20 mil pessoas utilizam o transporte coletivo em Foz do Iguaçu.
Para colher os dados, Mella dos Santos, orientado pelo docente Egon Vettorazzi e coorientado por António Figueiredo, percorreu a cidade fotografando e catalogando os diferentes modelos de pontos de ônibus existentes.
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Ele diz que a cidade tem mais de 1.200 paradas cadastradas, das quais a pesquisa identificou 16 tipos distintos, agrupados em seis categorias de acordo com a sua estrutura física — com ou sem cobertura, com fechamentos laterais, climatizados, entre outros.

Uso de materiais inadequados
Segundo a pesquisa, os principais problemas encontrados foram o uso de materiais inadequados, que acumulam muito calor nas coberturas e pisos; a falta de sombra, tanto nos pontos quanto nas calçadas ao redor; a ausência de ventilação adequada e a falta de árvores no entorno.
“Os próprios usuários também apontaram, no questionário, a sujeira e a falta de manutenção como problemas sérios. Mais da metade dos participantes disse sentir muito calor no verão e muito frio no inverno enquanto espera o ônibus”, relata Mella dos Santos.
Com base nos dados coletados, os pesquisadores propõem melhorias simples e de baixo custo, que poderiam ser implementadas com vistas à qualificação dos pontos de ônibus.
Para o professor orientador do estudo, Egon Vettorazzi, com o aumento das temperaturas urbanas, causado tanto pelas mudanças climáticas quanto pela forma como as cidades são construídas, com muitas superfícies que acumulam calor e pouca vegetação, é necessário pensar de que formas as paradas de ônibus podem ajudar a reduzir a exposição ao calor.
“Isso contribuiria para diminuir o cansaço físico, melhorar o bem-estar durante a espera e incentivar o uso do transporte público”, realça.
Coberturas verdes
Para resolver esses problemas, a pesquisa desenvolveu dois novos modelos de pontos de ônibus, adaptados ao clima subtropical úmido de Foz do Iguaçu.
Um deles é voltado para estruturas posicionadas no sentido Leste–Oeste, tendo fechamento frontal parcial para permitir mais sombreamento nas primeiras e últimas horas do dia, quando há mais incidência solar nessas orientações.
O outro é para pontos no sentido Norte–Sul, com a fachada frontal completamente aberta para favorecer a circulação do ar.

As duas propostas compartilham soluções como cobertura com vegetação (telhado verde), plantio de árvores nativas ao lado da parada, uso de pavimentação clara no piso do entorno e fechamentos laterais em vidro para proteger das chuvas. Essas escolhas, juntas, reduziriam em até 6°C a temperatura dentro dos abrigos.
“O índice internacional de estresse térmico, chamado UTCI, também melhorou nos dois modelos propostos”, detalha o pós-graduando.
Tipos de medições
Para fazer a pesquisa, foram combinadas três formas de investigação: medição direta nos pontos de ônibus, aplicação de questionário e simulação por computador.
Na primeira, o pesquisador instalou equipamentos que registravam, a cada dez minutos, a temperatura e a umidade do ar dentro e fora dos abrigos. Uma câmera termográfica foi usada para medir a temperatura das superfícies, como o chão, as paredes e a cobertura dos pontos. As medições foram feitas em dezembro de 2025, em diferentes horários do dia.
Na segunda, um questionário foi respondido pelos próprios usuários. Entre agosto e outubro do ano passado, 96 pessoas que usam o transporte público em Foz do Iguaçu responderam a perguntas sobre como se sentem nas paradas de ônibus, o que percebem de calor ou frio e o que avaliam como faltando na estrutura dos abrigos.
Na terceira foi usado um software chamado ENVI-met e criados modelos digitais dos pontos de ônibus e do seu entorno, como também foram testadas virtualmente diferentes configurações de rua, pavimentação, vegetação e edificações, para entender o que mais influencia no calor sentido por quem está esperando ônibus. Essa combinação de métodos conferiu ao pesquisador uma sólida base de dados para o estudo.
(Com informações da assessoria de imprensa da Unila)



Se as duas pistas da av. das cataratas demorou mais de 40 anos, imaginem pontos de ônibus climatizados, podem esperar sentados e no calor que a cidade oferece nos meses de outubro a março.
Ta bom…70 graus…impressionante . Do baseado nem vou falar.