Frutíferas urbanas: boas para os bichos e ao bicho-homem

Sabiá-branco saboreando uma pitanga. Foto: Priscilla Esclarski

Por Aida Franco de Lima – OPINIÃO

Uma vez, estava conversando com minha filha, ela estava naquela fase de trocar as letras. Perguntei se preferia calçadas com ou sem árvores. Ao que respondeu: “Com árvores, para pegar as futinhas”. E não só as crianças que adoram, os animais também!

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Quem não gostaria de acordar com um sabiá cantarolando na janela ou observar um beija-flor ‘parado’ no ar, enquanto busca alimento nas flores? E quem é que não é atraído por uma jabuticaba ou uma manga, que nasce e frutifica  despretensiosamente em um canteiro de uma via? As árvores frutíferas urbanas são essenciais para alimentar a fauna que se adaptou ao meio urbano e mesmo para saciar o desejo ou necessidade de quem quer saborear uma fruta sem ter que gastar um real.

Sabiá-do-campo adaptado à cidade
Sabiá-do-campo atraído pelas frutíferas urbanas. Foto: Priscilla Esclarski

Já faz tempo que os pesquisadores destacam a importância dessas espécies. Em estudo de 1986, dos pesquisadores Ots e Catie, era observado que a ampliação da base alimentar para a fauna com plantio de árvores frutíferas nativas em áreas de agricultura urbana, permite a  criação de ambientes que favorecem o aumento da biodiversidade da fauna, ainda mais da avifauna. Também contribui para o natural controle biológico de pragas. Até mesmo doenças urbanas, principalmente as transmitidas por insetos, como a dengue, podem ter sua incidência diminuída.

Sanhaçu-cinzento, em seu banquete à base de mamão. Foto: Priscilla Esclarski

Isso quer dizer que além de cantar, embelezar, as aves nos ajudam a diminuir as doenças, pois elas comem os seus vetores!

Sabiá-laranjeira e tiê-de-topete em comedouro ao ar livre. Foto: Priscilla Esclarski

E em outro trabalho dos pesquisadores da Universidade Federal do Paraná, José Adenilson de Carvalho, João Carlos Nucci, Simone Valaski publicado em 2010, eles afirmam que a “A presença de vegetação nas cidades é de suma importância, especialmente a de porte arbóreo. Uma possibilidade que a arborização urbana nos oferece é a sua utilização como recurso alimentar complementar por parte da população, fato que tem chamado a atenção de vários pesquisadores nos últimos anos”.

Anu-coroca destaca-se no verde da folhagem
Anu-coroca escolhendo a goiaba da vez. Foto: Priscilla Esclarski

E o professor, mestre e  biólogo Helio Fernando de Oliveira faz as seguintes ponderações:

 1) Podemos utilizar frutíferas na arborização urbana, o que fica claro nos documentos oficiais;

2) Deve-se cuidar apenas com espinhos e tamanho dos frutos e como qualquer outra espécie, o local que será plantada;

 3) Essas espécies servirão para diversos serviços ecossistêmicos, desde alimentação humana e outros animais até preservação da biodiversidade;

 4) As frutíferas nativas devem ser a primeira opção.

Saí-azul, cujas cores lembram um beija-flor
Saí-azul equilibrando-se para garantir sua comida. Foto: Priscilla Esclarski

E então, como é na sua cidade? No seu bairro? Na sua rua? É permitido e incentivado? As crianças e os animais têm a opção de pegar ‘futinhas’ ?

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Aida Franco de Lima

Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo da autora.