Rastrear quem maltrata animais, é proteger a sociedade

Os registros de maus-tratos a animais só ficam abaixo do tráfico de drogas. E isso reflete o mar de violência social em que estamos afundados.

Apoie! Siga-nos no Google News

Por AIDA FRANCO LIMA | OPINIÃO

O bárbaro crime cometido por um psicopata a uma creche em Blumenau causou comoção e revolta em todo o Brasil. E  toca qualquer pessoa que tenha o mínimo de amor à vida. No histórico do assassino, cujo nome e outros dados que possam identifica-lo não devem ser divulgados, a fim de não incitar  mais atos de violência similares, lá está ela:  a violência! Inclusive contra animais.

Os dados são científicos e observa-se facilmente, infelizmente, na vida cotidiana. Pessoas que maltratam animais tendem a ser cruéis  em outras situações. É uma espécie de sinal de alerta, que deve ser encarado com seriedade pela sociedade, que tanto clama por medidas de combate à violência.

Quem comete maldade contra um animal, um ser indefeso, que não tem as mesmas estratégias de defesa como seu agressor,  o faz  por gosto. A pessoa que mata e/maltrata animais, na maior parte das vezes, premedita. Porque normalmente ela tem tempo para rever seu ato, visto que o bicho não vai revidar com as mesmas armas.

Quando, por exemplo, em uma localidade há denúncias a respeito de envenenamentos de animais, como gatos e cães, é um indício de que as coisas não vão bem. E é importante que providências sejam tomadas para identificar os responsáveis.

É fundamental que a violência animal seja interpretada e tratada com a importância que exige. As autoridades da área não podem apenas dar com os ombros ou exigir provas que levem a quem comete os crimes, para tomar medidas cabíveis. Cabe a elas a investigação, a busca por pistas. O fato deve ter mais relevância que os dados de quem faz a denúncia.

Imaginem se diante de homicídios só fossem investigados casos em que fossem apresentadas fotos e provas sobre o criminoso? Pois é isso que inibe quem irá efetuar a denúncia de um vizinho, um parente, um chefe, que comete maus-tratos a animais. A pessoa muitas vezes quer ajudar que seja feita a justiça, mas nem sempre ela tem os instrumentos que lhe são exigidos.

Uma vez denunciei um vizinho, mas era por causa das intermináveis festas nas madrugadas de dias aleatórios. A atendente da polícia falou que eu precisaria fazer um B.O e me identificar. Expliquei a ela que não queria ser exposta ao vizinho que já não tinha boa fama. Então ela retrucou que eu não queria me expor, enquanto os policiais estariam se expondo. Eu só me esqueci de falar a ela que cada um assume os riscos que seu trabalho exige.

Mas voltando a quem maltrata animais, temos que nos atentar aos sinais. E há que se organizar uma força-tarefa entre entidades da sociedade para identificar esses agressores. O agente de saúde, de combate à dengue, o funcionário da empresa de energia elétrica ou de água, o carteiro… enfim, os profissionais que têm algum acesso a quintais e residências podem contribuir com essas observações.

Mesmo quem não goste de animais, deveria se preocupar com essa temática. A pessoa que envenena animais ou os violenta de qualquer forma, pode ter como próxima vítima, um humano. Se a precaução não for pelo amor e empatia aos animais, que seja inclusive um gesto egoísta, de proteger a própria vida.

Maus-tratos a animas só ‘perde’ para tráfico de drogas! Essa triste marca está impregnada na engrenagem social. Reflete nas páginas policiais, nos boletins de ocorrência, nas lágrimas das famílias dilaceradas. Alguma medida enérgica precisa ser feita. E os ativistas da causa animal precisam que seus clamores em favor dos animais, sejam escutados. É em prol deles e da própria sociedade. Da nossa vida!

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

Quer divulgar a sua opinião. Envie o seu artigo para o e-mail portal@h2foz.com.br

LEIA TAMBÉM

Comentários estão fechados.