Genivaldo e a violência nossa de cada dia

Sem capacete, Genivaldo foi parado e sua vida encerrada dentro de viatura, transformada em câmara de gás. Foto: Divulgação
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Aida Franco de Lima – ARTIGO

A coluna é sobre Sustentabilidade, mas estamos em uma fase insustentável. As notícias dessa semana foram muito pesadas e parece mesmo que a cada dia piora. Errou Tiririca, pior que está fica. Ficou pior até para ele cujo número de urna foi surrupiado. É como se o 10 do Pelé fosse trocado por outro qualquer. Mas Tiririca tem a vida ganha, diferente de Genivaldo de Jesus dos Santos, morto em uma câmara de gás improvisada, em um carro da Polícia Rodoviária Federal, em Ubaúba, no estado de Sergipe. Genivaldo estava sem capacete e foi flagrado em uma blitz.

A frase: “A Justiça é cega”, no Brasil ganha outro sentido. Aqui, parece mesmo que a Justiça não observa os injustiçados, pois se a pena para quem andar de moto sem capacete, for a câmara de gás, o vice-presidente já teria assumido a cadeira principal desde as primeiras motociatas.

Mas e o que tem a morte de Genivaldo, com o tema sustentabilidade? Tudo. Estamos falando de violência, de dor, de morte, de injustiça. Também nessa semana tivemos notícias de um atentado contra uma escola no Texas, de operação policial na favela da Penha, no Rio, com saldo até o momento de 25 mortos (com vítimas sem passagem pela polícia) e da morte do influencer a Jesse Koz e o cão Shurastey, fora notícias da guerra Ucrânia e Rússia, enchentes, assassinatos, pandemia, varíola, etc.

Estrada do Colono volta a ser moeda de troca, para políticos que desejam transformar a  possibilidade de reabrir a Estrada, em fonte de votos
Manifestantes pedem que estrada cortando o Parque Nacional do Iguaçu não seja reaberta. Foto: Divulgação

Nossa sociedade está cada dia mais violenta e se estamos dizendo de seres humanos violentando seus pares, que dirá o que passam os animais na unha dos únicos racionais do Planeta?

Caçadores matando os animais no que restam de áreas para se protegerem. Onça se escondendo em banheiro porque a Serra do Curral, em MG, está sendo destruída por conta do minério que está em seu solo. Terras de Yanomamis devastadas por garimpo. Parque do Iguaçu ameaçado com reabertura de estrada… a lista é interminável.

O reflexo da violência e de uma sociedade economicamente empobrecida recai diretamente na vida dos animais, no meio ambiente como um todo. A busca frenética por ouro, em troca do derramamento de mercúrio em nossos rios, vale a pena? Se não fosse o interesse de grandes empresários, que financiam esse tipo de escravidão moderna, não compensaria mais o governo subsidiar esses trabalhadores e tirá-los daquela região? Caça é realmente uma atividade para se considerar esporte? Homens que adentram as floresta para matar animais o fazem para saciar a fome ou a fome de poder sobre a vítima indefesa?

A certeza da impunidade motiva que uma parcela da sociedade pressione e transforme em capacho aquela outra, que escuta os gritos de Genivaldo ou o terror dos Yanomamis e chora, enquanto a primeira ri.

Redes sociais, ouvidorias, denúncias anônimas, abaixo-assinados, ações judiciais, eleições. Há diversos caminhos nessa encruzilhada. Só precisamos continuar seguindo em frente. Não podemos nos igualar por baixo. Não podemos aceitar que o outro seja achincalhado. Quem cala, consente.

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Aida Franco de Lima

Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo da autora.

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