Exigência de passaporte sanitário aumenta procura por vacinas na Argentina

Com sobra de vacinas, Argentina mira agora nas crianças e faz até vacinação de casa em casa, como em Misiones. Foto: Agência Télam

Em Misiones, província à qual pertence Puerto Iguazú, 44.654 moradores foram a postos de vacinação, um ano depois de a campanha ser iniciada.

Os antivacinas ou aqueles que não veem importância de se imunizar contra a covid-19, em Misiones, na Argentina, “mudaram de ideia”.

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A exigência de passaporte sanitário, imposta pelo governo de Misiones, que é também um requisito para atravessar a fronteira do Brasil e do Paraguai, aumentou a procura por vacinas, a partir de janeiro.

Segundo o portal El Territorio, no dia 5 de janeiro o total de imunizados com a primeira dose era
de 842.830 pessoas. Na quinta-feira da semana passada, o número havia subido para 842.830.

Esses 44.654 moradores que buscaram os postos de vacinação são aqueles que não acreditavam na vacina ou não tinham interesse em se imunizar, por qualquer motivo.

As restrições aos não imunizados, que cada vez mais é acatada pelo setor privado, diz El Territorio, fez com que essas pessoas finalmente cedessem. A busca pela primeira dose é maior entre jovens e adultos jovens.

EXIGÊNCIAS

“Para ir ao Paraguai ou para entrar no cassino são algumas das coisas que comentam as pessoas quando vêm procurar a primeira dose”, disse uma vacinadora de um posto na Costanera de Posadas, capital de Misiones.

“Dias atrás uma senhora veio para aplicar a primeira dose e, já no dia seguinte, queria a segunda dose, porque precisava do comprovante para cruzar a ponte” entre Posadas e Encarnación, no Paraguai, informou ainda a fonte. Mas, claro, a segunda dose não é aplicada no dia seguinte. A mulher terá que esperar entre 21 e 28 dias, dependendo da vacina que tomou.

AGORA SOBRA

O plano de vacinação contra a covid-19 teve início em 29 de dezembro de 2020. Na primeira etapa, não havia vacinas suficientes, lembra El TErritorio.

Mas, agora, há sobra de imunizantes, o que levou o Ministério de Saúde a avançar na campanha, inclusive nas escolas, como em Misiones. A província também já lançou o programa “Toco tu puerta”, que consiste em vacinar de casa em casa.

Atualmente, Misiones já aplicou 1.807.838 doses, das quais 887.484 correspondem à primeira e 688.425 à segunda dose. A população de Misiones beira 1,2 milhão de habitantes, dos quais 199.059 estão com o esquema vacinal incompleto.

NA FRONTEIRA

No município de Bernardo de Irigoyen, que faz fronteira com Dionísio Cerqueira (SC) e Barracão (PR), o diretor da Zona Centro Uruguay de Saúde, Horacio Mielniczuk, contou a El Territorio que 30% de quem procura vacinas faz parte da população que ainda não havia recebido a primeira dose, agora estimulados pela exigência do passaporte sanitário.

Em Puerto Libertad também aumentou a demanda por vacinas, entre todas as faixas etárias.

MEDO DO CONTÁGIO

Mas não é só a exigência de passaporte sanitário que leva as pessoas a procurarem os postos.

El Territorio ouviu Juana dos Santos, moradora da zona rural de Bernardo de Irigoyen. Ela disse que nunca teve dúvidas sobre a eficácia da vacina, mas não se preocupou em se imunizar.

No entanto, “vendo que houve muitos contágios e algumas mortes, e que a maioria das mortes registradas foi de pessoas não vacinadas, achei um tempo para vir me vacinar. Na minha família todos estão vacinados com ao menos uma dose”.

Às vezes, a doença em casa é o estimulante. Em San Antonio, uma família inteira procurou o posto de vacinação, depois que um parente próximo contraiu a covid e passou muito mal, por não ter se vacinado.

Há quase duas semanas, Misiones supera os mil casos diários e registra entre 8 e 12 mortes pela doença.

Graciela Ferreira, diretora do hospital de Bernardo de Irigoyen, confirma o aumento da vacinação, “pela quantidade de contágios que estão ocorrendo e porque estão vendo os benefícios da vacinação. A demanda é geral, mas se destaca mais com pessoas a partir de 17 anos”.

BOA IMUNIZAÇÃO

A Argentina é um dos países com os melhores índices de vacinação. Com uma dose, 87% da população está imunizada; com duas, 76%.

Para comparar, no Brasil 80% da população recebeu a primeira dose; com duas doses, são 70%. Os dados são do site Our World in Data.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.