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Reportagem Especial

Censo IBGE

Mais de 17 mil pessoas moram sozinhas em Foz do Iguaçu; 6 mil são idosos

Dados do IBGE mostram que quase 70% desse público tem mais de 40 anos. Tendência demográfica pressiona por imóveis funcionais.

5 min de leitura
Mais de 17 mil pessoas moram sozinhas em Foz do Iguaçu; 6 mil são idosos
Os números revelam que o fenômeno de morar sozinho na cidade está diretamente atrelado ao avanço da idade. Foto gerada por IA.

Em Foz do Iguaçu, a imagem clássica das grandes famílias dividindo o mesmo teto está abrindo espaço para um novo arranjo demográfico: a vida solitária. De acordo com os dados mais recentes do Censo do IBGE, 17.634 pessoas moram sozinhas na cidade, o que representa cerca de 17,5% do total de pouco mais de cem mil lares iguaçuenses.

Ao contrário da imagem do jovem solteiro que sai de casa cedo, os dados de Foz mostram que a vida solitária é uma característica marcante da fase madura. Os números revelam que o fenômeno de morar sozinho na cidade está diretamente atrelado ao avanço da idade.

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O grupo de pessoas com 60 anos ou mais que vivem sós soma 6.235 moradores, tornando-se a faixa etária mais representativa nessa categoria de domicílio. Logo atrás dos idosos, a faixa de 40 a 59 anos responde por 6.041 pessoas vivendo sozinhas. Somados, os habitantes de Foz acima de 40 anos representam quase 70% dos domicílios unipessoais.

Para efeito de comparação, o número de jovens adultos (entre 18 e 24 anos) que moram sozinhos é de apenas 1.238. Já entre os mais jovens ainda (até 17 anos), são somente 39 casos registrados.

No cenário estadual, a proporção de lares unipessoais em Foz do Iguaçu (17,6%) fica levemente abaixo da média do Paraná (18,3%). Entre as dez cidades mais populosas do estado, a capital — Curitiba — lidera essa estatística, com 22,1% dos domicílios ocupados por só uma pessoa, seguida por Maringá (20,1%), Londrina (19,9%) e Cascavel (19,2%).

Quando o olhar se volta para a questão de gênero, os dados revelam que 9.295 (52,7%) lares unipessoais de Foz são ocupados por mulheres, contra 8.339 habitados por homens (47,3%).

Perfil das moradias

Apesar do número de domicílios unipessoais, a família tradicional ainda define o padrão habitacional em Foz do Iguaçu. As famílias nucleares — casais com filhos ou pais solos com filhos — lideram com 65.788 lares, ou seja, quase duas em cada três moradias da cidade.

Foz se destaca no Paraná: entre as dez cidades mais populosas, tem o maior percentual de famílias estendidas (14,5%), totalizando 14.507 casas que incluem tios, avós, primos ou outros parentes além do núcleo básico. A maioria das residências abriga de duas a quatro pessoas (28.946 com dois moradores, 25.156 com três e 17.732 com quatro), embora persistam 10.852 imóveis com cinco ou mais ocupantes e 2.391 arranjos compostos (não parentes dividindo o teto).

Demanda por imóveis mais compactos cresce em Foz

O crescimento de lares com somente um morador, especialmente concentrado na população idosa, não é apenas uma curiosidade estatística. Esse novo perfil sinaliza uma mudança profunda nas necessidades da cidade, exigindo adaptações, por exemplo, do mercado imobiliário. Emily Torrezan, sócia-diretora da Iguacon Imobiliária, confirma o fenômeno no dia a dia das negociações. “Temos percebido um aumento na procura por imóveis por pessoas que moram sozinhas, especialmente adultos acima dos 40 anos. Muitas vezes são pessoas que já têm estabilidade profissional, passaram por mudanças de vida ou simplesmente buscam mais independência”, explica.

Ela ainda ressalta que Foz do Iguaçu conta com um fator adicional: a presença de estudantes universitários, especialmente de medicina, tanto nas universidades da cidade quanto nas faculdades do Paraguai. “Muitos desses estudantes já são pessoas mais maduras, que mudam de cidade para estudar e acabam optando por morar sozinhas. Esse cenário aumenta a procura por imóveis compactos, bem-localizados e com praticidade no dia a dia”, complementa.

Emily Torrezan - Iguacon Imobiliária
Emily Torrezan, sócia-diretora da Iguacon Imobiliária: cenário aumenta a procura por imóveis compactos. Foto: Danielle Bazzanella

O que eles buscam nos imóveis?

Segurança, localização, conforto, baixa manutenção e proximidade de serviços costumam ser fatores importantes na tomada de decisão desses moradores, que têm procurado imóveis menores. “Muitos idosos optam por reduzir o tamanho do imóvel depois que os filhos saem de casa ou quando buscam mais praticidade no dia a dia. Por isso, apartamentos menores ou casas com estrutura mais prática acabam sendo opções bastante procuradas.”

Contudo, esse perfil mais maduro também encontra algumas limitações no financiamento bancário, já que o prazo disponível para crédito tende a diminuir conforme a idade do comprador aumenta. “Isso acaba influenciando na busca por imóveis mais compactos, com valores mais acessíveis ou até unidades prontas, que atendam melhor à realidade financeira desse público”, realça.

Em relação aos bairros, os imóveis mais procurados ficam em regiões como Vila A, Polo Centro, bairros próximos à Avenida República Argentina e Vila Yolanda. A explicação está na oferta de comércios, serviços e facilidade de deslocamento.

Iguacon Imobiliaria
Apartamentos menores ou casas com estrutura mais prática têm a preferência dos moradores. Foto: Iguacon Imobiliária/divulgação.

Construtoras estão atentas

Alguns empreendimentos mais novos de Foz do Iguaçu já estão atentos a essa demanda e levam ainda mais a sério conceitos de acessibilidade em seus projetos, como elevadores, rampas e áreas comuns mais acessíveis. Porém, ainda há espaço para evolução nesse aspecto.

“Inclusive, já existe uma discussão crescente no setor sobre empreendimentos e condomínios pensados especificamente para o público sênior, com estruturas adaptadas e maior foco em segurança e praticidade. Esse tipo de projeto já é pauta entre algumas incorporadoras e construtoras e tende a ganhar espaço nos próximos anos”, antecipa Emily.

Iguacon Imobiliária
Pensando neste público, projetos envolvendo studios devem ganhar espaço nos próximos anos. Foto: Iguacon Imobiliária/divulgação



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    Vacy Álvaro

    Vacy Alvaro é jornalista e coordenador do núcleo de Jornalismo de Dados/Infográficos do H2FOZ.

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