A recente escalada nos preços dos combustíveis tem como principal origem os reajustes promovidos pelas distribuidoras, não pelos postos. A afirmação é do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Paranapetro), que aponta desequilíbrio na dinâmica de repasses.
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Pela legislação, os postos são obrigados a adquirir combustíveis exclusivamente das distribuidoras, ou seja, não têm acesso direto a refinarias ou importadoras. Isso limita o poder de negociação e torna o setor altamente dependente das decisões das companhias de distribuição.
Nas últimas três semanas, os aumentos têm sido quase diários. No caso do diesel, os reajustes acumulados se aproximam de R$ 2 por litro em algumas distribuidoras. Já a gasolina registra elevações superiores a R$ 0,20 no mesmo período.
“Pela terceira semana seguida, as distribuidoras continuam repassando grandes aumentos nos combustíveis aos postos, quase diariamente”, reporta o Paranapetro.
Segundo a entidade, os aumentos adotados pelas distribuidoras começaram logo após a deflagração da guerra no Oriente Médio. O fato é utilizado como justificativa, com alegada alta do petróleo no mercado internacional.
Além disso, o etanol também sofreu aumentos expressivos nos últimos dias. As distribuidoras alegam elevação nos preços praticados pelas usinas de cana-de-açúcar, ampliando ainda mais a pressão sobre os valores nas bombas.
Preço da gasolina
O Paranapetro destaca que fiscalizações realizadas em outros estados, especialmente diretamente nas distribuidoras, têm revelado indícios de irregularidades, com notificações a dezenas de empresas.
Para o sindicato, há um procedimento que se repete: enquanto os aumentos são repassados com rapidez aos postos, as eventuais reduções demoram a chegar, quando chegam. A entidade, além disso, afirma que toda a fiscalização é bem-vinda, “pois ajuda a esclarecer que os postos são o elo mais frágil e com menor poder econômico da cadeia de
combustíveis.”
Outro lado
Em nota conjunta, entidades representativas do setor de combustíveis, como a Federação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Gás Natural e Biocombustíveis (Brasilcom), que reúne sindicatos com atuação nos estados, afirmaram que acompanham os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e analisam “seus reflexos sobre o mercado internacional de petróleo e derivados”.
Conforme o texto, o cenário é de volatilidade externa e parte relevante do abastecimento nacional vem de refinarias privadas e de importadores. Esses players, diz a nota, não atuam na extração de petróleo no Brasil e praticam preços (de diesel A) conforme as referências internacionais.
“As oscilações no valor do petróleo e dos derivados tendem, portanto, a se refletir em toda a cadeia, ainda que de forma não uniforme e como resultado não de um único fator, mas da combinação de diversas variáveis econômicas, tributárias e logísticas”, expõe a nota (leia aqui, na íntegra).


