Com apenas um anestesista disponível, as cirurgias eletivas foram suspensas no Hospital Municipal Padre Germano Lauck, e o centro cirúrgico teve sua capacidade reduzida à metade. Esse cenário coloca a população em risco sanitário e de morte evitável. A afirmativa é do Ministério Público do Paraná (MPPR), que cobrou respostas da Prefeitura de Foz do Iguaçu.
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Um anestesiologista deverá ser contratado na próxima semana, com possibilidade de ampliação do quadro. “Já poderemos avançar para um retorno gradual à normalidade, talvez não exatamente às 25 cirurgias por dia, como estava, mas muito próximo disso”, calculou o diretor-geral do Hospital Municipal, Áureo Ferreira, em um somatório que se apresenta frágil.
Tem mais. Quatro empresas que mantêm neurocirurgiões na unidade pediram descredenciamento em razão de impasse em torno de reajustes pelos serviços realizados. Em resposta à promotoria, a gestão municipal apresentou um plano de contingência para a área e afirmou que segue negociando com os profissionais.
Para contornar o problema na neurocirurgia, o Hospital Municipal continua recebendo pacientes de urgência e emergência. O médico plantonista aciona o SAMU e a Regulação Estadual, que indica a “porta de entrada” recomendada, podendo ser a estrutura do Itamed ou hospitais em Cascavel, no Oeste, ou ainda em Francisco Beltrão e Pato Branco, no Sudoeste.
Essa situação expõe pacientes a uma realidade inaceitável para uma cidade-polo, de porte e importância regional. Não se trata de inconveniente logístico ou de desacerto contratual. Quando a rede deixa de oferecer serviços essenciais em sua própria cidade, é preciso chamar o problema pelo nome: é crise na saúde de Foz do Iguaçu. Crise de gestão.
O atendimento cirúrgico é componente crítico e não pode ser fragilizado pela falta de profissionais — em uma cidade com fila longa que não é zerada. Os transtornos revelam uma inconsistência maior: a ausência de políticas consistentes para atrair e reter especialistas, além da precariedade de contratos terceirizados que deixam serviços essenciais vulneráveis a rupturas.
O morador, o paciente, paga o preço mais alto, com demora e até ausência de atendimentos, incertezas e transferências. A saúde pública exige gestão qualificada, sem improvisos, estabilidade e investimentos que garantam tratamento no tempo e com a qualidade adequados, sem a necessidade de buscá-lo fora de Foz do Iguaçu.

